Foi o carro n.º 7, do britânico Mike Conway, do japonês Kamui Kobayashi e do neerlandês Nyck de Vries, que, depois de longas horas longe da disputa pelo pódio, surpreendeu ao ultrapassar tanto o carro número 20 da BMW M Team WRT, do neerlandês Robin Frijns, do alemão René Rast e do sul-africano Sheldon van der Linde, como o irmão n.º 8, do suíço Sébastien Buemi, do neozelandês Brendon Hartley e do japonês Ryō Hirakawa.
Até ao fim da manhã, o duelo parecia dar-se entre aqueles dois e o Cadillac n.º 12 da Hertz Team Jota. Só que, numa reviravolta, o carro n.º 7 intrometeu-se no que já parecia uma espécie de bailado , e terminou a sagrar-se vencedor das 24 Horas de Le Mans. E, assim, mais uma vez ficou claro que, na mais emblemática corrida de resistência em todo o mundo, pouco interessa como se começa . Em segundo, ficou o BMW, a apenas 10,913 segundos, e, em terceiro, o outro Toyota.
Para os dois portugueses em pista, as 24 Horas de Le Mans revelaram-se menos gratificantes: o carro n.º 35 da Alpine Endurance Team, com António Félix da Costa na equipa titular, caiu do terceiro lugar de onde partiu para a 6.ª posição; já o Cadillac n.º 101 de Filipe Albuquerque , ficou-se pelo nono lugar, com menos duas voltas, tendo sido penalizado durante a noite por não ter abrandado numa zona lenta.
Nos LMP2, os Oreca n.º 43 e n.º 343 da Inter Europol Competition terminaram em primeiro e segundo lugar, respectivamente, seguidos pelo carro n.º 29 da Forestier Racing by Panis, em terceiro. E, na categoria LMGT3, venceu o Corvette Z06 LMGT3.R n.º 33 da TF Sport; o Lexus RC F n.º 78 da Akkodis ASP Sport terminou em segundo e o Aston Martin Vantage AMR LMGT3 n.º 23 foi relegado para terceiro.
Estratégia ao segundo
Numa corrida medida ao segundo e muito marcada pela estratégia, os 184 pilotos tiveram de enfrentar neste domingo ainda o calor, com perto de 30 graus, além dos desafios do Circuito de La Sarthe , que se destaca por, de tempos a tempos, invadir as estradas nacionais, extravasando o Circuito Bugatti, casa habitual do campeonato de MotoGP, e ao longo do qual se destaca a recta Mulsanne, de seis quilómetros, onde se chegou a registar uma velocidade de 405 km/h (em 1988, pelo carro número 51 dos protótipos WM, que usava um V6 turbo de origem Peugeot, recorde que viria a ser aproveitado aquando o lançamento do… 405).
Dos 62 carros que saíram da grelha da partida, 24 horas depois, 53 cruzaram a meta, mesmo que com menos voltas cumpridas do que os vencedores, mostrando que os automóveis estão cada vez mais à altura dos difíceis cânones impostos em Le Mans.
Aliás, 103 anos após a sua criação e ao fim de 94 edições, as 24 Horas de Le Mans nunca pareceram tão “fáceis”. Ou os carros em competição tão desenvolvidos. É que, se ainda há poucos anos, não era incomum começar a ver máquinas à procura de ajuda nas boxes ao fim de apenas algumas voltas, neste fim-de-semana, poucos foram os pilotos que se viram forçados a encostar.
E, apesar de um susto ou outro, como quando o Porsche 911 n.º 91 da equipa Manthey DK Engineering, pilotado por Ayhancan Güven, embateu no muro na recta de Hunaudières, não se registaram acidentes graves, numa mostra de como a segurança é hoje uma questão relevante para a organização de Le Mans.
O PÚBLICO viajou a convite da Peugeot
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