Os jovens portugueses chegam ao mercado de trabalho já com expectativas diferentes em relação ao que vão receber: as mulheres têm à partida expectativas mais modestas. Segundo dados de um estudo realizado pela Magma Studio , uma consultora na área do recrutamento e formação, a média dos valores apontados pelos homens é 12% superior à média dos apontados pelas mulheres. A diferença cresceu em relação à edição anterior do estudo, quando rondava os 9,3%.
O Estudo das Empresas Mais Incríveis de Portugal (EMIP), publicado nesta quarta-feira e avançado pelo Jornal de Notícias , ouviu 5499 estudantes e recém-diplomados. Os jovens inquiridos esperam receber, em média, 1325 euros por mês no primeiro trabalho. No entanto, ao separar as respostas dos homens das das mulheres, abre-se um abismo pouco surpreendente . Enquanto eles esperam receber, em média, 1412 euros por mês no primeiro trabalho, elas indicam um valor de apenas 1261 euros, para o mesmo momento da carreira.
A expectativa não está desajustada da realidade, já que dados do relatório Igualdade de Género em Portugal de 2025, feito pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), mostram que elas continuam a ganhar pior: em 2023 o gap salarial foi de 15,4,%. E no início da carreira , as mulheres ganhavam, em média, 1162,7 euros e os homens 1322 (um diferencial de 12,1%).
Preferência pelo regime híbrido
A décima edição do EMIP mostra ainda que 75% dos entrevistados prefere trabalhar no regime híbrido (alguns dias em teletrabalho e outros presencial), em contraste com os 19% que preferem o presencial e os 6% que privilegiam o teletrabalho a tempo inteiro. No último estudo, de 2024, os números eram de 77%, 16% e 7%, respectivamente, o que significa que a maior subida foi entre aqueles que escolhem o trabalho presencial.
O estudo dá também indicações relativamente à vontade de emigrar. Questionados sobre onde pretendem iniciar suas carreiras, 83% disseram que gostavam de permanecer em Portugal, enquanto 17% demonstraram interesse em entrar no mercado de trabalho no estrangeiro. Os principais motivos apontados pelos entrevistados para considerarem deixar o país foram a busca de melhores salários, mais oportunidades e maior qualidade de vida.
Entre as maiores preocupações dos universitários e recém-formados, a mais apontada foi o custo de vida e a dificuldade em ter independência financeira. Em segundo e terceiro lugar, referiram preocupar-se também com a instabilidade política e económica do mundo e com o acesso a habitação. Entraram na lista, também, tópicos como desigualdade social, crise climática, saúde mental e impactos da IA no mercado de trabalho.
Das quase 5500 pessoas ouvidas pelo estudo, 57% eram mulheres e 42%, homens. Setenta por cento tinha uma licenciatura, 29% mestrado e 1% doutoramento, com predominância para as áreas de Gestão (38%) e Tecnologia (38%).
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