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BREnvironment3 days ago

The Morro Grande Park Community in São Paulo has been fighting for two decades for memory and nature

The community surrounding the Morro Grande area in São Paulo has been fighting for over two decades to preserve both the natural environment and the historical memory of the region. The area, once home to the Morro Grande quarry, now contains remnants of the Atlantic Forest, springs, and cultural landmarks such as a workers' village, a textile factory, a cinema, and a chapel built in 1961. After the quarry closed in the late 1990s, the site fell into disrepair, facing risks of illegal occupation and real estate pressure. In 2006, residents, researchers, artists, and activists formed a movement

No encontro entre os distritos da Brasilândia, Freguesia do Ó e Pirituba, na zona norte de São Paulo , uma área de mais de 600 mil metros quadrados resiste como um dos últimos grandes remanescentes verdes da região.

Cercado por bairros densamente urbanizados e marcados pela falta de áreas de lazer e equipamentos públicos, o território do futuro parque Morro Grande carrega não apenas fragmentos de Mata Atlântica e nascentes, mas também parte da memória operária e cultural da periferia paulistana.

Antes de se tornar alvo de uma mobilização comunitária que atravessa quase duas décadas, o espaço abrigava a antiga Pedreira Morro Grande, ativa até o fim dos anos 1990.

Ao redor da exploração mineral surgiram uma vila operária, a tecelagem Santo Eduardo Tecidos de Algodão, um cinema e a Capela Santa Clara de Assis, construída em 1961.

Com o encerramento das atividades da pedreira, a cratera formada pela extração virou lago e o território passou a conviver com abandono, risco de invasões e pressão imobiliária.

Foi em 2006 que moradores, pesquisadores, artistas e ativistas começaram a se organizar no movimento em defesa do parque, uma articulação criada para pressionar o poder público pela transformação da área em parque municipal.

"Essa luta tem mais de 20 anos. Quando ocorreu a desativação da pedreira, tentaram fazer do cinema uma casa de cultura e também houve propostas para criar um parque preservando a história social do território", afirma Rui Primo, atuante no Movimento em Defesa do Parque Morro Grande e no conselho gestor do parque.

Segundo ele, a mobilização começou de forma organizada dentro dos espaços participativos do bairro. "A gente sempre usa um lema: a periferia precisa e merece parques. Temos muitas lutas na periferia, mas o parque é fundamental porque vai trazer qualidade de vida, lazer, cultura e preservação ambiental. É essencial para a nossa região."

Ao longo dos anos, a organização acumulou conquistas importantes. Em 2014, o parque foi incluído no Plano Diretor Estratégico da cidade como parque urbano em planejamento.

Em 2022, a área recebeu placas de demarcação da prefeitura por meio do Projeto Demarca, após uma votação pública em que o parque se tornou uma das prioridades mais votadas da cidade.

"A periferia é um pouco esquecida em São Paulo. Nossa região sofre com a construção excessiva de prédios e com a perda de áreas verdes. O parque vem para suprir essa necessidade", afirma Rui.

Procurada pela reportagem, a SVMA (Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente) informou que as oficinas participativas que definiram o projeto arquitetônico foram finalizadas em março deste ano e que, atualmente, estão sendo desenvolvidos os projetos básicos e executivos, considerando as demandas apresentadas pela população.

Segundo a pasta, também segue em andamento o processo de desapropriação da área contemplada pela DUP (Declaração de Utilidade Pública).

O futuro parque terá mais de 500 mil metros quadrados, diz a secretaria, e estará inserido em uma área classificada como ZEPAM (Zona Especial de Preservação Ambiental), destinada à proteção da vegetação nativa e dos recursos naturais.

A SVMA afirma ainda que o equipamento contará com infraestrutura voltada para esporte, lazer e convivência, incluindo pista de atletismo, campo de futebol e de flag football, quadras esportivas, pista de skate, anfiteatro, sala de leitura, parquinhos infantis, fontes de água interativas e aparelhos de ginástica.

O projeto prevê também sanitários públicos, vestiários e quiosques.

Segundo a pasta, o parque terá sete acessos distribuídos pelo entorno, incluindo entradas próximas à futura estação Pátio Morro Grande, da linha 6-laranja do metrô .

Memória

Além da preservação ambiental, o movimento defende o reconhecimento histórico do território. Em 2022, foi iniciado um pedido de tombamento junto ao DPH (Departamento de Patrimônio Histórico), abrangendo a capela, o antigo cinema, estruturas remanescentes da pedreira, a estrada do Congo e toda a mancha verde do parque.

Vitor Stalmann, arquiteto e urbanista que participou como coordenador técnico do movimento entre 2022 e 2024 e atualmente está à frente do coletivo Memórias do Morro Grande, afirma que o patrimônio da área vai além das edificações.

"Além de garantir a proteção das construções, buscamos preservar a mancha verde, o remanescente do bioma e as nascentes usando a memória como fator político. O parque trata de acesso ao verde e também do direito à memória", afirma.

Segundo o urbanista, o território reúne cerca de 20 construções ligadas à antiga pedreira e carrega um valor histórico raro na cidade.

Apesar disso, o movimento afirma que o processo de tombamento está sem avanços desde agosto de 2025. Enquanto segue indefinido, moradores organizam uma rede informal de vigilância para proteger o espaço contra incêndios, invasões e descarte irregular de lixo.

A Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, por meio do DPH, informou que o processo…

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Folha de S.PauloIndependentCenter3 days ago
The Morro Grande Park Community in São Paulo has been fighting for two decades for memory and nature

The community surrounding the Morro Grande area in São Paulo has been fighting for over two decades to preserve both the natural environment and the historical memory of the region. The area, once home to the Morro Grande quarry, now contains remnants of the Atlantic Forest, springs, and cultural landmarks such as a workers' village, a textile factory, a cinema, and a chapel built in 1961. After the quarry closed in the late 1990s, the site fell into disrepair, facing risks of illegal occupation and real estate pressure. In 2006, residents, researchers, artists, and activists formed a movement

Bias read (Center): The article focuses on environmental preservation and community activism without taking a political stance. It presents facts about the history of the area, the efforts of local groups, and the ecological significance of the land. There is no evident ideological framing or biased language.