Um grupo de sindicalistas ligados a diferentes estruturas, incluindo organizações afetas à CGTP, sindicatos independentes e até alguns associados à UGT, lançou uma carta aberta a apelar à rejeição do pacote laboral atualmente em discussão política e à participação numa concentração marcada para 18 de junho, em frente à Assembleia da República.
A iniciativa surge num momento em que o futuro das propostas será debatido – precisamente no dia 18 de junho, pelo Parlamento –, mas os subscritores defendem que a gravidade das alterações previstas justifica uma mobilização imediata dos trabalhadores e das suas organizações representativas.
A missiva dos sindicalistas, intitulada Para derrotar o pacote laboral, a unidade impõe-se , sustenta que as medidas propostas representam “um grave retrocesso nos direitos de quem trabalha” e acusa o Governo de promover alterações que poderão traduzir-se em “mais precariedade, menos proteção no emprego, redução dos rendimentos, mais fragilidade da contratação coletiva, desregulação dos horários, restrições nos direitos de parentalidade, limitações à atividade sindical, liberalização dos despedimentos ou restrições ao exercício do direito à greve” .
O documento, subscrito por cerca de 120 sindicalistas, ativistas laborais, dirigentes associativos e representantes de comissões de trabalhadores, considera que o pacote laboral configura “uma das mais profundas alterações regressivas da legislação laboral das últimas décadas” e critica a ausência de medidas dirigidas a desafios contemporâneos do mercado de trabalho, como a regulação da Inteligência Artificial, a proteção dos trabalhadores das plataformas digitais ou o combate à precariedade.
Entre os signatários encontra-se Pedro Faria, trabalhador administrativo numa Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) e associado ao Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social (STSSSS). E m declarações ao DN, admite que a concentração do próximo dia 18 pretende influenciar o debate.
"Aquilo que está neste pacote laboral é de tal maneira gravoso que, para muitas pessoas do movimento sindical, o próprio facto de algumas destas medidas estarem a ser negociadas já constitui um problema" , afirmou. Segundo Pedro Faria, não se trata de um processo negocial convencional entre sindicatos e entidades patronais, mas de uma discussão sobre “quanto é que vamos perder”.
Para Pedro Faria, a mobilização cumpre o objetivo de dizer aos deputados que “as associações representativas dos trabalhadores e os próprios trabalhadores estão contra este pacote e que, mesmo que algumas medidas venham a ser mitigadas, tudo indica que haverá uma perda significativa de direitos”.
A concentração foi convocada pela CGTP, mas os promotores da carta aberta querem alargar o apoio ultrapassando o escopo da central sindical. Segundo Pedro Faria, o objetivo é reunir “pessoas de vários sindicatos da CGTP, sindicatos independentes e inclusive algumas pessoas ligadas à UGT”.
“Esta iniciativa procura demonstrar que a rejeição deste pacote ultrapassa diferenças de estratégia e de filiação sindical”, explicou.
Os signatários da carta aberta apelam “a todos os trabalhadores e trabalhadoras, às organizações sindicais de todas as tendências, filiadas ou não em centrais, às comissões de trabalhadores, aos movimentos sociais e a todos os cidadãos comprometidos com a justiça social” para reforçarem uma frente comum de oposição às propostas.
O documento apela também aos deputados para que rejeitem o pacote laboral e assumam a responsabilidade de defender os direitos dos trabalhadores e os princípios consagrados na Constituição.
Questionado sobre a representatividade do movimento sindical num contexto em que as taxas de sindicalização permanecem relativamente reduzidas, Pedro Faria rejeita uma leitura exclusivamente baseada no número de associados. O sindicalista recorda que muitos trabalhadores sindicalizados não comunicam essa condição às entidades patronais e, por isso, nem sempre são contabilizados nas estatísticas disponíveis .
Para os promotores da iniciativa, a discussão parlamentar de 18 de junho poderá constituir um momento decisivo. A carta aberta sublinha que, nesse dia, os trabalhadores estarão concentrados junto ao Parlamento para afirmar “de forma clara e determinada” que não aceitam o que consideram ser um retrocesso nos direitos laborais.
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3 reports
RTP NotíciasState / PublicCenter2 days ago UGT sees labour law becoming feasible and defends struggle with "balance and prudence"The leader of the Portuguese trade union confederation UGT, Mário Mourão, stated that while a general strike remains an option, there is still time for other actions before considering such a measure. The UGT plans to send letters requesting meetings with political parties and will decide on further actions after these discussions. The union emphasized that even if the government's labor law reform proposal passes in the general debate this Friday, there will be a subsequent specialized discussion that the union will monitor. The UGT previously participated in the December 11 general strike, a
Bias read (Center): The article reports on statements made by a union leader regarding potential labor actions without taking a stance or using biased language. It provides factual information about the UGT's position and planned actions without favoring any side.
RTP NotíciasState / PublicCenter3 days ago UGT goes to parliament to watch the debate on labour law amendmentsThe UGT union delegation, led by General Secretary Mário Mourão, will attend the parliamentary debate on proposed changes to labor law in Portugal. The UGT emphasizes the importance of the issue for workers' rights, collective bargaining, and labor relations. It highlights its active participation in the discussion process and warns against potential setbacks for labor rights. Meanwhile, the CGTP union plans a demonstration outside the Assembly of the Republic to oppose the labor package.
Bias read (Center): The article presents factual information about the UGT's planned attendance at the parliamentary debate and their concerns regarding the labor reforms. It also mentions the CGTP's opposition and planned protest without taking a stance or using biased language. The content remains balanced and does
Official sources cited
- organisation UGT's statement on attending the parliamentary debate
- organisation CGTP's planned demonstration
Diário de NotíciasIndependentLeft7 days ago Trade unionists of various tendencies appeal for mobilization against labor packageA group of trade unionists affiliated with various organizations, including those linked to CGTP, independent unions, and some associated with UGT, has launched an open letter calling for the rejection of the current labor package under discussion and participation in a demonstration scheduled for June 18th in front of the Assembly of the Republic. The initiative comes at a time when the future of the proposals will be debated by Parliament on the same day. The signatories argue that the proposed changes represent a significant setback for workers' rights and accuse the government of promoting
Bias read (Left): The article presents a strong critique of the labor package from the perspective of left-leaning trade unions, using terms like 'grave retrocesso' (serious regression), 'precariedade' (precariousness), and 'redução dos rendimentos' (reduction in earnings). It emphasizes the negative impacts on labor