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PTSports3 days ago

We're all entitled to our opinions, but not our own facts.

The article discusses the importance of truth in democracy, using a quote from American senator and sociologist Daniel Patrick Moynihan. It argues that while individuals have the right to their opinions, they do not have the right to their own facts, emphasizing that so-called 'facts' that serve specific interests are actually lies. The piece highlights how radical populist parties exploit misinformation and the 'post-truth' era, undermining democratic systems by eroding public trust in leaders and social bonds.

O título desta newsletter é uma paráfrase de uma citação do senador e sociólogo norte-americano Daniel Patrick Moynihan (1927-2003). E é também uma provocação. Alguns dos que estão a ler este artigo poderão eventualmente achar que têm direito aos seus factos, considerando que isso representa uma perspectiva diferente de ver a realidade, mas não têm. Esses alegados "factos" têm um nome. São mentiras que servem um interesse específico. E também não representam um direito inscrito nos pilares essenciais da democracia. Pelo contrário, matam-na.

A verdade é essencial à sobrevivência do ecossistema democrático, sem ela desmorona-se — o povo deixa de acreditar nos dirigentes políticos e até mesmo nos vizinhos e em alguns familiares. Tudo se deslaça. É por isso que os partidos populistas radicais usam e abusam da mentira ou daquilo a que agora se chama "pós-verdade".

Os factos são únicos, a realidade acontece de determinada forma, podemos é não conhecer em dada altura todos os factos. Mas a dimensão temporal, espacial e contextual não admite factos diferentes que se auto-excluem. Tudo isto é básico no conhecimento da Humanidade, mas o poder da revolta, da ira e da emoção tem anulado a razão, de novo, na contemporaneidade.

Moynihan contestou-o activamente. "Toda a gente tem direito a uma opinião, mas não aos seus próprios factos", escreveu numa coluna de opinião no The Washington Post , em Janeiro de 1983, na qual também insistiu ser essencial aceitarmos (todos) viver com os factos. O texto foi escrito enquanto integrava a Comissão Nacional para a Reforma da Segurança Social dos EUA e Moynihan defendia que os debates sobre orçamentos e reformas deviam basear-se em dados reais e não em estatísticas manipuladas por partidos.

Isto vem a propósito do mais recente relatório Digital News Report 2026 do Reuters Institute for the Study of Journalism da Universidade de Oxford. De acordo com o estudo , 76% dos portugueses inquiridos afirmam estar preocupados com a desinformação online . A média global dos países é de 62%. Portugal surge no topo dos países em que se regista maior preocupação com a desinformação e as fake news , acompanhado pela Nigéria, Quénia, Reino Unido e Austrália. Se, por um lado, Portugal está entre os países em que mais se confia nas notícias de uma forma geral (51%), está também entre aqueles em que a preocupação com a desinformação mais subiu nos últimos anos (em 2018 a percentagem era de 71%).

O aumento pode ser visto como algo positivo, pode querer dizer que o sentido crítico dos cidadãos aumentou e que estes distinguem agora melhor o que é verdadeiro do que é falso. Mas ao mesmo tempo, apesar da desconfiança com que são vistas as redes sociais, estas são a principal fonte de informação não por serem uma escolha consciente das pessoas, mas porque estão mais expostas a elas, diz também o relatório. Isto, numa altura em que a instabilidade política e a polarização social estão a fazer com que os cidadãos diminuam o seu interesse no consumo de notícias nos meios de comunicação tradicionais.

Outro dado preocupante: Portugal é um dos países onde menos se paga por notícias (8%). No Reino Unido, este número sobe para 10% e nos EUA para 16%. A verdade tem um preço, porque os seus fazedores investigam e garantem o seu valor — os jornalistas trabalham, os jornais investem.

O que se pode fazer? Esta é a pergunta à qual é difícil responder. Os meios de comunicação devem fazer um esforço para encontrar as melhores formas para chegar aos cidadãos sem descurar a qualidade da informação e, desejavelmente, as pessoas devem privilegiar a boa informação e pagar por ela. Estarão a investir na sua própria liberdade.

Lei Laboral mais rígida?

Mas esta newsletter é sobre Maio, mês em que fomos ver se Portugal era o segundo país com a legislação laboral mais rígida entre 38 países. É falso . Paulo Núncio disse-o com base num relatório da OCDE, mas o estudo não diz isso. E será que Amesterdão proibiu a publicidade a carne por ofender muçulmanos, como disse Ventura? Também é falso . A publicidade foi proibida por motivos ambientais.

Em Maio, também avaliámos se existem "300 mil crianças na pobreza", em Portugal, como afirmou Paulo Raimundo. E é verdade, de acordo com um estudo da Nova School of Business & Economics. E mudando de latitude, será verdade que a palavra "mãe" foi apagada da "nova caderneta da gestante" do Brasil? Não, a palavra surge várias vezes ao longo do documento.

E claro que a actualidade continuou a ser marcada pelas contradições de Donald Trump . É verdade que prometeu gasolina abaixo dos dois dólares nos EUA, mas agora custa mais de quatro (por galão). E será verdade que rejeitou recuperar "as restrições da covid " num vídeo recente sobre o hantavírus? Não, é falso. O vídeo que tem sido partilhado nas redes sociais é de Agosto de 2023. E sobre esse vírus, pode ler aqui a desmontagem de quatro mentiras que se espalharam nas últimas semanas.

Em Maio, publicámos também um longo trabalho sobre gordura satur…

Read the full article at Público
Source document: reutersinstitute.politics.ox.ac.uk

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PúblicoIndependentCenter3 days ago
We're all entitled to our opinions, but not our own facts.

The article discusses the importance of truth in democracy, using a quote from American senator and sociologist Daniel Patrick Moynihan. It argues that while individuals have the right to their opinions, they do not have the right to their own facts, emphasizing that so-called 'facts' that serve specific interests are actually lies. The piece highlights how radical populist parties exploit misinformation and the 'post-truth' era, undermining democratic systems by eroding public trust in leaders and social bonds.

Bias read (Center): The article presents a general argument about the role of truth in democracy without taking a stance on any specific political issue or party. It uses a historical figure's quote and discusses broader societal trends rather than endorsing or criticizing particular political actors or policies.