ON
← Back to feed
BRCulture3 days ago

Who notifies the Portuguese that they will co-host the 2030 World Cup?

The article reflects on past World Cup organizing experiences, including Brazil's 2013–2014 protests over infrastructure standards, Qatar's controversies ahead of the 2022 tournament, and South Africa's national development approach. It contrasts this with Portugal's current lack of public engagement regarding its role in co-hosting the 2030 World Cup alongside Morocco and Spain. The author notes that Portugal has largely ignored the event, despite having hosted the 2004 European Championship. Optimists argue that Portugal's smaller hosting role in 2030—only six matches across existing venues—

Lembram-se de quando, em 2013 e 2014, milhões de brasileiros foram às ruas exigir "hospitais padrão Fifa "? Lembram-se de que, mais de uma década antes do pontapé inicial, o Qatar já era obrigado a se defender de acusações de corrupção e violação dos direitos humanos? Lembram-se de que a África do Sul apresentou a Copa como um projeto nacional de desenvolvimento?

Um mundial é sempre mais do que um mês de futebol . É um processo longo de debate público, investimentos estatais e privados, disputas de poder e organização logística.

Menos em Portugal . A quatro anos do início do evento, os portugueses esqueceram-se de que têm uma Copa para coorganizar, juntamente com Marrocos e Espanha . Salvo raras notícias em jornais esportivos e reuniões burocráticas na Fifa, o país comporta-se como se não lhe tivesse sido atribuída a coorganização do maior evento midiático do planeta.

Os otimistas dirão que não há razão para dramatismo. Portugal organizou a Eurocopa de 2004, ganhou experiência, construiu estádios, recebeu milhares de torcedores estrangeiros e projetou uma imagem de competência. Em 2030, acrescentarão, o país receberá apenas seis jogos, distribuídos por três estádios já existentes (Luz, Alvalade e Dragão). Não haverá, portanto, necessidade de grandes obras, grandes sacrifícios orçamentários ou grandes debates nacionais.

O problema é que Portugal, hoje, não está preparado para essa pressão. O velho aeroporto de Lisboa é uma infraestrutura moribunda , mantida de pé por remendos e negação política. O novo, a ser inaugurado só em 2037 , está sendo planejado desde 1954.

Os hospitais enfrentam rupturas cíclicas, urgências encerradas e falta de profissionais. Os transportes metropolitanos continuam insuficientes para a escala das áreas urbanas que servem. A ligação ferroviária entre Lisboa e Porto (Alfa Pendular e Intercidades) oferece um serviço irregular, caro, com atrasos recorrentes e material circulante herdado dos anos 1990. A habitação e a hotelaria, sobretudo em Lisboa e no Porto, já funcionam sob uma pressão turística e imobiliária que o mundial tenderá a agravar.

O mais inquietante, porém, é que quase nada disso está sendo discutido. Não há verdadeiro debate público sobre a Copa de 2030 em Portugal. Não há uma conversa nacional sobre custos, prioridades, riscos, responsabilidades ou legado. Não há escrutínio sobre o que caberá ao Estado, às prefeituras, à Federação Portuguesa de Futebol, aos clubes e à iniciativa privada.

Não se fala de responsabilidades, porque as responsabilidades, quando nomeadas cedo demais, perdem a delicada utilidade de poderem ser repartidas depois. Não há discussão séria sobre transportes, saúde, segurança, hospedagem, preços, mobilidade urbana ou impacto turístico. O país se candidatou, celebrou timidamente a escolha em 2024 e depois mergulhou num silêncio profundo.

Na Espanha, o governo criou por decreto uma Comissão Interministerial para coordenar a organização da Copa de 2030 , presidida pela ministra da Educação, Formação Profissional e Esportes, com representantes de 15 ministérios. A estrutura foi posteriormente desdobrada em grupos de trabalho para articular a ação pública em torno do evento.

Folha Mercado

Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.

Marrocos, por outro lado, criou a Fundação Marrocos 2030 , um órgão específico para coordenar a preparação da Copa entre governo, autoridades locais, setor privado e federação. E vinculou o evento a uma agenda de investimentos em ferrovias, aeroportos, rodovias, hotéis e requalificação urbana.

A última notícia publicada pelo Público , o maior diário português, sobre a organização do evento em Portugal data de dezembro de 2024. O título dizia quase tudo: "É oficial: Portugal vai receber Mundial 2030 —mas não sabe que retorno financeiro terá." Segundo o jornal, o governo admitia desconhecer quanto teria de investir e qual seria o retorno, embora acreditasse que o saldo final seria positivo.

As últimas palavras públicas relevantes de Luís Montenegro, primeiro-ministro de Portugal, sobre a Copa remetem também a dezembro de 2024, quando o país foi confirmado como coanfitrião e ele classificou a escolha como um "momento muito positivo".

Mas não nos preocupemos. Portugal sabe improvisar bem. É uma tecnologia antiga, aperfeiçoada nas repartições, nos gabinetes e nas antecâmaras do poder. Adia-se sem parecer ocioso, hesita-se sem parecer medroso, espera-se que o acaso faça metade do serviço e, depois, assina-se o resultado com ar de estadista. O atraso, quando bem apresentado, também pode parecer uma forma superior de governo.

LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Read the full article at Folha de S.Paulo
Source document: boe.es

1 reports

Folha de S.PauloIndependentCenter3 days ago
Who notifies the Portuguese that they will co-host the 2030 World Cup?

The article reflects on past World Cup organizing experiences, including Brazil's 2013–2014 protests over infrastructure standards, Qatar's controversies ahead of the 2022 tournament, and South Africa's national development approach. It contrasts this with Portugal's current lack of public engagement regarding its role in co-hosting the 2030 World Cup alongside Morocco and Spain. The author notes that Portugal has largely ignored the event, despite having hosted the 2004 European Championship. Optimists argue that Portugal's smaller hosting role in 2030—only six matches across existing venues—

Bias read (Center): The article provides historical context and contrasts different countries' approaches to hosting major sporting events without taking a clear ideological stance. It critiques Portugal's lack of preparation and public discourse but does so in a balanced manner, referencing both challenges and optimis