Parteiras que viram recusado visto de entrada são de países africanos e asiáticos Internationalmidwives.org
Publicado a
:
12 Jun 2026, 21:11
Atualizado a
:
12 Jun 2026, 21:11
Portugal está a ser acusado de recusar vistos a pelo menos 20 parteiras de África e da Ásia que vinham participar no congresso da Confederação Internacional de Parteiras (ICM) , que arranca este fim de semana em Lisboa. A decisão está a gerar críticas da organização, mas o Ministério dos Negócios Estrangeiros defende-se e, à agência Lusa, fala num processo “rigoroso, objetivo e factual”, em conformidade com o Código de Vistos Schengen.
O congresso da ICM realiza-se de três em três anos e reúne milhares de profissionais de saúde para debater formas de reduzir cerca de “260 mil mortes anuais de mulheres durante a gravidez ou o parto” e “4,2 milhões de bebés que morrem à nascença ou no primeiro mês de vida”.
Segundo a organização, “pelo menos 20 parteiras e oradores de África e da Ásia” viram os seus pedidos recusados à última hora. Entre os afetados estão naturais de países como Nigéria, Ruanda, Burundi, Uganda, Etiópia, Serra Leoa, República Democrática do Congo, Bangladesh e Índia.
“Precisamos de ouvir os principais investigadores, aqueles que estão na linha da frente da luta contra as mortes evitáveis”, lamentou Kate Stringer, conselheira da ICM, em declarações à agência France-Presse (AFP), sublinhando que “a cada dois minutos, morre uma mãe” e que estas recusas “silenciam aqueles de quem mais precisamos de ouvir”.
Entre os casos relatados pela AFP está o de Harriet Akello, diretora de obstetrícia da Mother Health International, no Uganda: “Estava pronta para liderar uma sessão sobre como as recomendações baseadas em evidências podem manter as mulheres e os bebés vivos nas circunstâncias mais desafiantes. Agora, os decisores do mundo inteiro estão em Lisboa e aqui estou eu, no Uganda, a explicar a uma embaixada por que razão devo ter permissão para viajar”. Segundo Akello, o seu visto foi recusado na quinta-feira, apesar de o pedido ter sido submetido há mais de um mês.
Os organizadores referem também o caso de uma professora assistente etíope selecionada para um programa de liderança da ICM, cujo pedido foi rejeitado por “declaração bancária insuficiente e propósito de viagem não fiável”.
As recusas de vistos têm sido notícia nos últimos dias depois de um árbitro de topo da FIFA da Somália ter sido impedido de entrar para arbitrar no Campeonato do Mundo. “Todos os delegados de países ricos conseguiram entrar sem problemas”, contrapôs Kate Stringer, comparando a situação com o que aconteceu ao “árbitro da FIFA” – o árbitro somali Omar Artan, nomeado para o Mundial de futebol, mas impedido de entrar nos EUA pela administração Trump - e denunciando o que classifica como um “viés colonial”.
O assunto motivou já também uma carta-aberta divulgada pela ICM e subscrita por mais de 100 profissionais ou investigadores da área a pedir que sejam reconsideradas as recusas de visto de entrada. Os signatários defendem que “estas pessoas não são turistas”, mas sim “profissionais de saúde qualificados, líderes, investigadores e educadores formalmente convidados” e alertam que “a exclusão destes profissionais tem consequências que vão além dos pedidos individuais ”, sublinhando que “o seu conhecimento, evidência e experiência são essenciais às discussões globais sobre saúde materna e neonatal”. Apontam ainda que “o diálogo global significativo em saúde materna não pode ocorrer se aqueles que trabalham nas regiões mais afetadas forem impedidos de contribuir”.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros, questionado sobre o caso pela agência Lusa, respondeu que “todos os pedidos de visto de curta duração submetidos nos postos consulares portugueses são analisados e processados de forma rigorosa, objetiva e factual, em total conformidade com as regras e critérios previstos no Código de Vistos Schengen” . O gabinete do ministro Paulo Rangel garante que Portugal mantém “o firme compromisso de assegurar um tratamento célere, uniforme e transparente dos processos”.
Read the full article at Diário de Notícias →📄Source document: International Confederation of Midwives (ICM)
3 reports
Diário de NotíciasIndependentCenter9 days ago Portugal accused of refusing visas to African and Asian midwives attending the Lisbon conventionPortugal is accused of denying visas to at least 20 midwives from Africa and Asia who were scheduled to attend the International Confederation of Midwives (ICM) conference in Lisbon. The ICM has criticized this decision, while Portugal's Ministry of Foreign Affairs defends it as a process that is 'rigorous, objective, and factual,' in line with the Schengen Visa Code. The conference occurs every three years and brings together thousands of healthcare professionals to discuss reducing maternal and neonatal deaths. At least 20 midwives and speakers from countries such as Nigeria, Rwanda, Burundi
Bias read (Center): The article presents both the accusations against Portugal and the Portuguese government's defense without overtly favoring either side. It includes quotes from the ICM and the Ministry of Foreign Affairs, providing balanced perspectives.
Official sources cited
- organisation International Confederation of Midwives (ICM)
- government Ministry of Foreign Affairs of Portugal
- press release France-Presse (AFP)
RTP NotíciasState / PublicCenter9 days ago Portugal refuses visas to midwives coming to the international convention in LisbonPortugal denied visas to at least 20 midwives from Africa and Asia who were traveling to participate in an international conference in Lisbon aimed at saving millions of babies worldwide. The organizers and attendees reported this denial.
Bias read (Center): The article reports a factual event without apparent ideological framing. It does not take a stance on the policy decision or imply approval or criticism of Portugal's actions. The focus is on the event itself and the response from organizers.
PúblicoIndependentCenter9 days ago Portugal refuses visas to midwives coming to the international convention in LisbonPortugal has refused visas to delegates attending an international conference in Lisbon. The Ministry of Foreign Affairs stated that all short-term visa applications submitted at Portuguese consular posts are analyzed and processed rigorously.
Bias read (Center): The article presents a factual statement from the Ministry of Foreign Affairs without overtly biased language or framing. It does not take a stance on whether the decision was appropriate or politically motivated, merely relaying the official position.
Official sources cited
- government Ministério dos Negócios Estrangeiros