Depois da sentença que deu como provado que o cozinheiro cabo-verdiano Odair Moniz, que morreu em 2024 na sequência dos disparos de um agente da PSP, não tinha empunhado nenhuma faca contra o agente Bruno Pinto, que justificou dessa forma o recurso à arma de fogo, a PSP continua sem dizer se vai investigar as discrepâncias que existiram no auto de notícia e no comunicado que difundiu.
“Quando os polícias procediam à abordagem do suspeito [Odair Moniz], o mesmo terá resistido à detenção e tentado agredi-los com recurso a arma branca, tendo um dos polícias, esgotado outros meios e esforços, recorrido à arma de fogo e atingido o suspeito, em circunstâncias a apurar em sede de inquérito criminal e disciplinar”, escreveu na altura a PSP.
Questionada pelo PÚBLICO sobre se irá corrigir a informação na sequência das conclusões do tribunal, que concluiu pela inexistência da ameaça com uma arma branca, a PSP diz apenas que o auto de notícia elaborado pelo agente refere “ a apreensão de uma arma branca no local dos factos ” e que o polícia prestou declarações em tribunal sobre essa matéria. Refere que os comunicados se basearam “ exclusivamente nos elementos constantes do expediente policial elaborado na ocasião e remetido à autoridade judiciária competente ” , e não esclarece se considera que a informação divulgada continua válida à luz dos factos dados como provados pelo tribunal.
Ficam igualmente sem resposta questões sobre uma eventual investigação ao aparecimento do punhal encontrado no local. Na sentença desta segunda-feira que condenou o agente Bruno Pinto por homicídio de Odair Moniz a uma pena suspensa de três anos e meio de prisão, por considerar que houve excesso de legítima defesa, os juízes do Tribunal de Sintra contrariaram a tese da faca difundida pelo polícia, plasmada em auto de notícia e divulgada oficialmente pela Polícia de Segurança Pública (PSP) desde o dia do homicídio.
O tribunal tem mesmo “uma convicção segura” de que “Odair não levou a sua mão à cintura, nem empunhou contra o arguido qualquer lâmina ou faca”. Vai mais longe: diz que o punhal que está no processo foi encontrado “ inusitadamente” e “em momento posterior, mas não apurado, e por pessoa de identidade não apurada, no local em que se dá a queda de Odair”.
Na terça-feira, o director nacional da PSP, Luís Carrilho, deixou uma “ palavra de grande solidariedade ” ao agente depois de a sentença haver sido proferida, e disse estar “certo [de] que quis, e como ficou [provado em tribunal], fazer o melhor”. Nada disse sobre o facto de o tribunal ter rejeitado a versão oficial da PSP.
Questionada sobre as declarações do director nacional da PSP, esta força policial responde que se tratou apenas de uma “ manifestação de solidariedade institucional e humana para com um profissional sujeito a um processo judicial com “ significativo impacto pessoal e profissional ” . A PSP acrescenta que as declarações “ não significam qualquer desconsideração pela decisão judicial proferida, nem qualquer juízo sobre a responsabilidade criminal apurada pelos tribunais ” .
Sobre as consequências disciplinares do caso, a PSP remete para a Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI), que avocou o processo disciplinar e a quem cabe agora tomar a decisão. A IGAI ainda tem o processo pendente.
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3 reports
PúblicoIndependentCenter2 days ago Odair Moniz: PSP does not say whether it will investigate the wrong version it has spread about the knifeFollowing a court ruling that confirmed the Cape Verdean chef Odair Moniz, who died in 2024 after being shot by a PSP officer, did not have a knife during the incident, the PSP has not stated whether it will investigate discrepancies between the initial police report and the information it publicly released. The PSP initially claimed that Moniz had resisted arrest and attempted to attack them with a weapon, leading to the use of force. However, the court found no evidence of a knife being used. The PSP states that its reports were based solely on the police documentation submitted to judicial
Bias read (Center): The article presents facts without overtly favoring either side. It reports on the court’s findings and the PSP’s response without using loaded language or selectively quoting sources. The framing remains neutral, focusing on the discrepancy between the initial police statement and the court’s
Official sources cited
- court Court ruling
- government PSP statement
RTP NotíciasState / PublicCenter6 days ago 5: 00 Penalty suspended for the PSP agent who killed Odair MonizThe headline reports that a suspended sentence was handed down to a PSP agent who killed Odair Moniz.
Bias read (Center): The headline presents a factual statement without apparent ideological framing or biased language. It simply states the outcome of a legal case involving a PSP agent. Without additional context or commentary, there is no clear indication of slant.
Diário de NotíciasIndependentCenter6 days ago PSP agent sentenced to 3 years and 6 months suspended sentence for the death of Odair Moniz.A PSP agent Bruno Pinto was sentenced to three years and six months in prison with a suspended sentence for the death of Odair Moniz during a police intervention in Cova da Moura in October 2024. The court found most of the prosecution's allegations proven but noted there was no evidence that Odair Moniz had a knife at the time of the shooting. The judges acknowledged that while there was self-defense, it involved an excessive use of force. They cited special circumstances due to the close physical proximity between Odair Moniz and Bruno Pinto, along with threats of aggression from Odair. The檢
Bias read (Center): The article presents factual details of a legal ruling without apparent ideological framing. It reports on judicial findings, including the lack of evidence for a weapon and the court's acknowledgment of excessive force, without showing clear bias toward either side.