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BREconomy6 days ago

O que Freud pode ensinar sobre seus h�bitos financeiros

The article discusses common financial habits people repeat despite negative outcomes, drawing parallels with Sigmund Freud's psychological theories. It highlights how individuals often make irrational financial decisions, such as spending before saving or delaying investments, which lead to recurring problems. The author shares an example of an entrepreneur who faced two major financial crises due to similar issues.

Todo mundo conhece alguém que passa anos reclamando da própria situação financeira. Reclama que não consegue guardar dinheiro, que os investimentos não avançam, que o patrimônio não cresce ou que vive inseguro diante dos imprevistos da vida. O curioso é que, muitas vezes, essa mesma pessoa passa anos tomando exatamente as mesmas decisões: gasta antes de poupar, adia o início dos investimentos, ignora a construção de uma reserva de liquidez e deixa para amanhã a proteção da família e do patrimônio.

E espera que o resultado seja diferente.

Parece estranho. Afinal, aprendemos desde cedo que errar faz parte da vida, mas repetir o mesmo erro indefinidamente não parece algo racional. No entanto, basta observar o comportamento humano para perceber que isso acontece com muito mais frequência do que imaginamos.

Em 1920, Sigmund Freud apresentou uma ideia que se tornaria uma das mais influentes da psicologia moderna. Segundo ele, as pessoas nem sempre buscam aquilo que lhes proporciona bem-estar. Muitas vezes repetem comportamentos, escolhas e situações que já lhes causaram sofrimento. A teoria foi criada para explicar aspectos da mente humana, não da vida financeira. Ainda assim, é difícil não enxergar paralelos.

Recentemente conversei com um empresário que enfrentou duas crises financeiras importantes ao longo da vida. Em ambas, o problema foi praticamente o mesmo: falta de liquidez para atravessar períodos difíceis. A primeira experiência foi dolorosa. A segunda foi ainda mais. O que chamou minha atenção não foi a crise em si, mas o fato de que, entre uma e outra, ele havia reconstruído patrimônio, ampliado negócios e aumentado a renda. Tudo mudou, exceto um hábito fundamental: a ausência de uma reserva adequada para enfrentar imprevistos.

A história dele não é exceção. Há pessoas que prometem começar a investir todos os anos. Janeiro chega carregado de boas intenções e dezembro termina sem que nada tenha acontecido. Há quem carregue dívidas recorrentes por décadas, não por desconhecer os juros ou os riscos do crédito, mas porque repete padrões de consumo que produzem sempre o mesmo resultado.

Há também quem acompanhe de perto o impacto financeiro de uma doença grave na própria família ou com amigos e, ainda assim, continue adiando decisões de proteção patrimonial, como se os imprevistos fossem sempre acontecer com os outros. Talvez a característica mais intrigante desses comportamentos seja que eles raramente decorrem da falta de informação.

Nunca tivemos tanto acesso a conhecimento. Livros, vídeos, cursos, podcasts e especialistas estão disponíveis em abundância. Se informação fosse suficiente, praticamente todos teriam uma vida financeira organizada. Mas conhecimento e comportamento raramente caminham juntos.

Quase todos sabem que deveriam se alimentar melhor, praticar exercícios físicos regularmente e poupar parte da renda. Ainda assim, existe uma grande distância entre saber o que deve ser feito e efetivamente fazê-lo. O mesmo ocorre com investimentos, proteção patrimonial e planejamento financeiro.

Por isso, as melhores estratégias financeiras não são necessariamente as que proporcionam maior retorno, mas as que direcionam maior disciplina ao aplicador, pois é isso que falta à maioria.

Aplicações com aportes automáticos, reservas de liquidez previamente definidas, planos previdenciários com débito automático, consórcio como forma de construção patrimonial, mecanismos de proteção patrimonial com aporte programado e planejamentos sucessórios funcionam porque reduzem a necessidade de tomar a mesma decisão repetidamente. Eles transformam boas intenções em hábitos, e hábitos, no longo prazo, costumam ser mais poderosos do que a própria inteligência financeira.

O maior risco para o patrimônio não está na próxima crise econômica, na inflação ou na volatilidade dos mercados. Está nos comportamentos que repetimos sem perceber. Porque os mercados mudam, as taxas de juros mudam e as oportunidades também mudam. Ainda assim, a vida financeira de muitas pessoas permanece praticamente igual durante décadas, não por falta de oportunidade ou capacidade, mas porque continuam repetindo escolhas antigas enquanto esperam resultados diferentes. E o patrimônio é construído mais pelos hábitos que repetimos por décadas.

Michael Viriato é planejador patrimonial e sócio fundador da Casa do Investidor .

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Folha de S.PauloIndependentCenter6 days ago
O que Freud pode ensinar sobre seus h�bitos financeiros

The article discusses common financial habits people repeat despite negative outcomes, drawing parallels with Sigmund Freud's psychological theories. It highlights how individuals often make irrational financial decisions, such as spending before saving or delaying investments, which lead to recurring problems. The author shares an example of an entrepreneur who faced two major financial crises due to similar issues.

Bias read (Center): The article provides a general discussion on financial behavior without taking a stance on specific political issues. It references Freud's psychological theories and uses an anecdotal example without showing bias toward any political ideology.