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BRCulture3 days ago

Symbol of gaucho education, brizoletes face neglect and lack of records

The article discusses the historical significance of 'brizoletas,' schools built between 1959 and 1963 by Governor Leonel Brizola in Rio Grande do Sul, Brazil, to improve education access in remote areas. These schools were once a symbol of literacy in the region but now face abandonment and lack of official records. The exact number of these schools remains uncertain, with estimates ranging from 1,045 to over 2,000. Current authorities have no formal records of their locations or conditions, and they are not officially recognized as historic or architectural landmarks. Efforts to preserve the

Construídas entre 1959 e 1963 pelo governador Leonel Brizola (1922-2004) para expandir o acesso à educação em áreas remotas do Rio Grande do Sul , as brizoletas foram um símbolo da alfabetização gaúcha por décadas.

Mais de 200 mil alunos passaram pelas salas de aula de ao menos 1.045 escolas erguidas em apenas quatro anos. O número de unidades é uma estimativa baixa e contestada —o próprio Brizola falava em mais de 2.000—, mas o total nunca foi documentado oficialmente.

A imprecisão nos dados persiste até hoje e se tornou um entrave para a preservação dessas escolas históricas: ninguém sabe ao certo quantas brizoletas ainda estão de pé, e muitas das sobreviventes enfrentam algum grau de degradação.

Nem o governo gaúcho nem órgãos de patrimônio têm registros sobre quantos desses prédios existem, onde ficam e em que condições se encontram.

Procurada, a SOP-RS (Secretaria de Obras Públicas) informou que as brizoletas não são consideradas oficialmente como prédios de interesse histórico e arquitetônico e que os casos de conservação são tratados individualmente.

Atualmente, não há tombamento dessas escolas pelo Iphae (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul) nem pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

A secretária estadual de Obras, Izabel Matte, diz que as brizoletas foram uma solução emergencial para resolver um déficit educacional urgente.

"Existe esse sentimento afetivo em relação às brizoletas, porque marcou uma época do Rio Grande do Sul em que se deu efetivamente um plano de expansão e descentralização do ensino", diz.

Segundo Izabel, as antigas estruturas, construídas rapidamente e com materiais de baixo custo, enfrentam dificuldades para se adaptar às exigências atuais, como regras previstas em planos diretores, códigos de obras, normas de acessibilidade e legislações de prevenção contra incêndios.

Há locais em que antigas construções ainda cumprem sua função original. Em Porto Alegre , a Escola Municipal Dolores Alcaraz Caldas preservou parte da estrutura e mantém salas de aula funcionando.

A secretária afirma que as brizoletas em áreas escolares são preservadas sempre que os prédios ainda sejam funcionais e possam ser aproveitados pelos alunos. "Mas, quando é necessário, porque realmente não há mais condições de uso, a gente é obrigado a fazer o desmonte daquele prédio, até para evitar algum problema de segurança."

A decisão de derrubar ou não também é influenciada por mudanças no modelo pedagógico, como a redução do número de alunos por sala de aula e o fim do ensino multisseriado.

"Elas cumpriram um papel importante e ficaram no nosso imaginário. Mas hoje seria inviável pensarmos em manter estruturas que nem suportam mais a variedade de usos atuais", disse a secretária.

Para o arquiteto Jorge Luis Stockler, responsável pelo projeto O Campanário, voltado à conscientização sobre patrimônio histórico na região Sul do Brasil, as brizoletas reúnem características que justificam um reconhecimento arquitetônico formal.

Segundo ele, as construções unem elementos da arquitetura moderna brasileira das décadas de 1950 e 1960 , como brise-soleil (estrutura usada para reduzir a incidência direta de luz solar) e o muxarabi (painel treliçado de madeira), a técnicas tradicionais de carpintaria gaúcha, influenciadas pela diversidade cultural e pela variedade de madeiras em cada região.

Entretanto, o arquiteto afirma que a falta de reconhecimento das brizoletas remanescentes como patrimônio histórico faz com que a responsabilidade pela conservação recaia sobre municípios pequenos, geralmente sem estrutura técnica para o trabalho.

Stockler defende que o Iphan e o Iphae atuem de forma coordenada para inventariar as brizoletas e assim elaborar uma estratégia de recuperação.

"Todas essas brizoletas territorializam, no interior do Rio Grande do Sul, uma política pública que incidiu sobre todo o estado, e essa política pública também é uma história que a gente precisa contar. É uma história muito pertinente para o momento atual."

Em maio deste ano, a prefeitura de Passo Fundo, no norte do estado, apresentou o projeto de restauro da antiga Escola Municipal Padre Vieira, brizoleta localizada na comunidade de Nossa Senhora da Paz.

O prédio foi tombado como patrimônio histórico nos anos 1990 e chegou a ser revitalizado em 2011, abrigando reuniões comunitárias, aulas de catequese e cursos de artesanato.

Com o tempo, algumas limitações do espaço levaram as atividades a migrarem de lugar, e o prédio a ser desativado. O espaço ficou fechado por muito tempo, o que levou a invasões e depredações.

Segundo Rita Juliane Rodrigues Tatim, presidente do Conselho Municipal de Cultura de Passo Fundo, um dos motivos para o abandono foi a falta de saneamento básico.

A construção data de uma época em que não havia banheiros em áreas internas —o mais próximo fica em uma igreja a alguns minutos de caminhada.

"Como não é um prédio urbano, com circulação consta…

Read the full article at Folha de S.Paulo
Source document: SOP-RS (Secretaria de Obras Públicas)

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Folha de S.PauloIndependentCenter3 days ago
Symbol of gaucho education, brizoletes face neglect and lack of records

The article discusses the historical significance of 'brizoletas,' schools built between 1959 and 1963 by Governor Leonel Brizola in Rio Grande do Sul, Brazil, to improve education access in remote areas. These schools were once a symbol of literacy in the region but now face abandonment and lack of official records. The exact number of these schools remains uncertain, with estimates ranging from 1,045 to over 2,000. Current authorities have no formal records of their locations or conditions, and they are not officially recognized as historic or architectural landmarks. Efforts to preserve the

Bias read (Center): The article provides a factual overview of the historical and current status of the brizoletas without taking a clear stance on political issues. It focuses on cultural heritage and infrastructure challenges rather than partisan topics.

Official sources cited

  • government SOP-RS (Secretaria de Obras Públicas)
  • government Iphae (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul)
  • government Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)

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  • governmentSOP-RS (Secretaria de Obras Públicas)
  • governmentIphae (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul)
  • governmentIphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)