A Rússia lançou, durante a madrugada desta segunda-feira, 15 de Junho, uma vaga de ataques de mísseis e drones sobre várias regiões ucranianas, tendo provocado pelo menos nove mortos e danos substanciais num dos principais símbolos religiosos do país: o mosteiro ortodoxo da Pecherskaya Lavra, na capital da Ucrânia.
Imagens divulgadas pelas autoridades ucranianas mostram as chamas a consumirem parte do mosteiro e os bombeiros a tentar controlar o incêndio junto às torres e cúpulas da Catedral da Dormição. Tetyana Berezhna, ministra da Cultura da Ucrânia, em publicação no X , confirmou que a catedral, fundada no século XI e Património Mundial da UNESCO, foi danificada durante o ataque.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou o ataque, numa publicação na mesma rede social, como "um dos crimes mais graves da Rússia contra a cultura cristã". O chefe de Estado voltou a pedir aos países do G7 mais apoio à defesa aérea ucraniana e maior pressão sobre Moscovo.
Também o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, condenou os ataques. Citado pela Reuters, o governante comparou o ataque ao mosteiro de Kiev-Pechersk a um hipotético bombardeamento da Catedral de Notre-Dame, em Paris, ou da Basílica de Saint-Denis, considerando a situação "totalmente inaceitável". Entretanto, Emmanuel Macron, Presidente francês, numa publicação no X , considerou o ataque injustificado e disse que apenas reforça a determinação de França para, "juntamente com os nossos parceiros e aliados", continuar a trabalhar em direcção a um acordo de paz, "que a Rússia está a recusar teimosamente".
O monumento integra, desde 2023, a lista de Património Mundial em Perigo devido às ameaças decorrentes da invasão russa. Aquele complexo monástico é considerado um dos principais centros espirituais da Ucrânia e é um importante local de peregrinação. A UNESCO descreve-o como sendo "uma obra-prima da arte ucraniana" e refere que as suas grutas acolhem, há séculos, relíquias de vários santos, o que o leva a ser conhecido também como Mosteiro das Grutas.
A Reuters acrescenta que a ofensiva russa desta madrugada foi uma das mais intensas registadas sobre a capital ucraniana nas últimas duas semanas. Moscovo terá lançado 70 mísseis e 611 drones contra o território ucraniano nesta noite, informação corroborada pelo Presidente ucraniano nas redes sociais. A Força Aérea da Ucrânia disse ter interceptado 50 mísseis e 582 drones . Vários edifícios residenciais foram atingidos e cerca de 140 mil pessoas ficaram sem electricidade. O presidente da câmara de Kiev, Vitali Klitschko, confirmou danos em diferentes zonas da capital.
Efforts to deal with the aftermath of the Russian strikes are ongoing in Kyiv, as well as in Kharkiv. Last night, the Russians launched more than 60 missiles at the capital alone. In total, 70 missiles and 611 drones were used against Ukraine. As of now, 28 people have been… pic.twitter.com/WRp6iEOu7h
— Volodymyr Zelenskyy / ????????? ?????????? (@ZelenskyyUa) June 15, 2026
Além de Kiev, que registou quatro mortes, Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, também foi alvo de bombardeamentos. A Reuters detalha que cinco elementos das equipas de emergência morreram quando uma segunda explosão atingiu o local onde decorriam operações de socorro. Outras cinco pessoas ficaram feridas. Também foram registados ataques em Dnipro, Kryvyi Rih e Sumy. Nesta última, registaram-se três feridos, incluindo uma criança. O Ministério da Defesa russo afirmou ainda, citado pela agência estatal TASS, ter realizado um "ataque maciço" contra instalações da indústria militar ucraniana.
A Polónia chegou a mobilizar caças e a colocar os sistemas de defesa aérea em alerta preventivo devido à intensidade dos ataques, mas não foi detectada qualquer violação do espaço aéreo deste membro da União Europeia, avança a Reuters.
Por sua vez, a Ucrânia voltou a atacar alvos em territórios controlados pela Rússia. Durante a noite, foram atingidas duas pontes utilizadas para abastecer a Crimeia , a península anexada por Moscovo em 2014. Na cidade russa de Tula, a sul de Moscovo, um ataque com drones provocou três mortos e três feridos, incluindo uma criança de um ano, avançam as autoridades regionais citadas pela BBC .
Estes ataques aconteceram na véspera da cimeira do G7, que começa nesta segunda-feira em França e onde se espera que a guerra na Ucrânia, a par do conflito do Médio Oriente, seja um tema central. Zelensky terá falado, no domingo, com o Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre possíveis formas de chegar a uma solução para o conflito. Citado pela CNN, o Presidente ucraniano afirmou que os cidadãos esperam alcançar a paz em conjunto com os EUA e os restantes aliados. "Todos os ucranianos têm um desejo para o Presidente Trump: que possamos finalmente alcançar a paz e que o consigamos juntamente com os EUA e todos os nossos parceiros", escreveu nas redes sociais.
No mesmo dia, o republicano terá falado com Vladimir Putin, que…
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