A favela mais populosa de São Paulo , Paraisópolis , na região sul da cidade, pode passar por um processo de reurbanização que a alteraria profundamente. A prefeitura lançou, na semana passada, as bases de um programa de intervenção na comunidade e abriu consulta pública para receber sugestões da população. O edital de licitação está previsto para o segundo semestre.
O principal problema de Paraisópolis é a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital). De acordo com reportagem da Folha , a facção ampliou o controle territorial sobre a comunidade, bloqueia de vias de acesso, fiscaliza atividades das organizações sociais e cobra taxas dos comerciantes. Diante disso, o projeto da prefeitura seria uma forma de aumentar o controle sobre o espaço da criminalidade com obras. Haverá muitas desapropriações.
Chamada de "Nova Paraisópolis", a iniciativa tem destaques como o prolongamento da avenida Hebe Camargo, que liga a favela à estação São Paulo-Morumbi do metrô . Com ela, o tempo para cumprir esse percurso cairia de 45 para 15 minutos. A prefeitura também pretende requalificar 36 km de ruas e vielas, enterrar fiações, melhorar a ventilação e fazer obras de saneamento nesses locais.
Está prevista a canalização dos córregos Antonico e Itararé. Em 2024, moradores de Paraisópolis ouvidos pela Folha relataram que o PCC expulsou trabalhadores e paralisou obras iniciadas no Antonico.
A área de habitação envolve a conclusão e entrega de 821 moradias nos condomínios Sanfora e Vila Andrade. Projeta-se a construção de mais mil residências para realocação de famílias que ocupam zonas de risco. O projeto contempla seis escolas, duas de ensino fundamental e quatro infantis, além de um Cieja (Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos).
O dinheiro para tudo isso virá da Operação Urbana Consorciada Faria Lima . Ao todo, foram arrecadados R$ 1,67 bilhão por meio do Cepac (Certificado de Potencial Adicional de Construção). É um mecanismo que possibilita a construtoras e incorporadoras aumentarem a área construída de projetos acima do permitido por meio de leilões; depois, as verbas levantadas são usadas em iniciativas de interesse social.
A região de Paraisópolis, a "cidade paraíso", surgiu em 1921 em um lugar que deveria abrigar moradias de alto padrão, dentro do loteamento da Fazenda Morumbi . A falta de infraestrutura e as dificuldades do terreno inviabilizaram o empreendimento.
Nos anos 1950 surgiram alguns sítios e também um processo de grilagem. Foi só na década de 1970 que a comunidade atual passou a se formar, começando no Jardim Colombo. Muitos trabalhadores da construção civil e empregadas domésticas que trabalhavam nas casas e prédios de luxo do Morumbi foram viver em Paraisópolis.
Trata-se, segundo a pesquisa "Favelas e Comunidades Urbanas: Resultados do Universo", do IBGE, com dados do Censo 2022, da maior favela de São Paulo em número de moradores. Sua população é de 58.527 habitantes, superior à da favela de Heliópolis, na região sul, de 55.583. A maior parte das famílias moradoras têm três membros.
Paraisópolis está marcada pela tragédia de 2019, quando nove pessoas morreram pisoteadas depois de uma ação policial em um baile funk , mas sua taxa de criminalidade, em particular em roubos e furtos, ficou abaixo da média da cidade nos últimos 12 meses. Embora seja um lugar perigoso, tem um comércio pujante . Nota-se, de uns tempos para cá, um aumento da presença de usuários de droga , às margens do córrego Antonico, por exemplo.
A comunidade sofre com casos de letalidade policial e com tiroteios e confrontos armados frequentes. Dois deles aconteceram na noite de terça-feira (9) quando um homem foi baleado na perna durante um patrulhamento da Polícia Militar. Um ônibus sem passageiros também foi atingido. No ano passado, dois PMs foram denunciados pela morte de um jovem de 24 anos. O caso gerou revolta da população da favela.
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