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BRSports8 days ago

Should the parks receive the food of the mics?

The article criticizes a proposal by the City Hall of São Paulo to create gastronomic hubs within public parks, arguing that it would harm the preservation of green areas. The piece highlights that these parks have become crucial refuges for urban wildlife and provide resistance to air and noise pollution.

O projeto de polos gastronômicos dentro dos parques públicos proposto pela Prefeitura de São Paulo trará enormes prejuízos à preservação das áreas verdes da cidade, ainda mais pelo fato de que os parques se transformaram em refúgio da fauna e flora urbanas, oferecendo resistência à poluição tanto do ar quanto sonora.

Esse projeto, que visa a implantação de 46 pontos de alimentação em 31 parques municipais, teve imediata reação de vários conselheiros e usuários rejeitando a possibilidade. A primeira movimentação organizada aconteceu no parque da Aclimação em 26 de abril reunindo mais de 600 pessoas. Dia 17 de maio foi a vez do parque Augusta promover outra manifestação.

Vale lembrar que existe uma lei municipal que proíbe a venda de alimentos na maioria dos parques, como o da Aclimação. Uma portaria de 2025 da Secretaria do Verde e Meio Ambiente diz que o "comércio no interior do parque é proibido, exceto aqueles desenvolvidos por programas da prefeitura ou por concessões". Essa nova portaria permitiu o comércio no parque Ibirapuera, do Carmo e Villa-Lobos.

As experiências de concessões de parques tanto estaduais quanto municipais não contribuem para a preservação ambiental. Parques se transformam em shoppings a céu aberto. Os prejuízos à flora e fauna são evidentes, sujeira, barulho e veículos entrando e saindo. Os parques são espaços de contemplação, descanso, lazer, cultura, esporte e piquenique.

A audiência pública virtual que foi organizada pela Secretaria Municipal de Desestatização não teve nada de democrática, pois 99% dos presentes se posicionaram contra os polos gastronômicos. Ao final, os representantes da secretaria encerraram a reunião ignorando as intervenções. Um ato autoritário.

A pedido de vários ambientalistas, uma audiência pública foi promovida pelos vereadores Nabil Bonduki (PT), Renata Falzoni (PSB) e Marina Bragante (Rede) no dia 6 de maio na Câmara Municipal. O encontro reuniu 60 pessoas representando seis parques. Todas as 25 intervenções foram contra os polos gastronômicos.

O diálogo com os munícipes e, principalmente, com os conselhos gestores, precisa ser franco e transparente. A prefeitura precisa assumir o papel de gestora e ouvir os conselheiros. Na consulta pública, segundo a Secretaria do Verde e Meio Ambiente, apenas sete pessoas apresentaram propostas para a questão dos polos, isto só comprova a falta de amplo diálogo com a população.

Outra polêmica foi a fala da chefe de gabinete Tamires Carla de Oliveira, em redes sociais, afirmando que os espaços de alimentação ajudarão na manutenção dos parques, no conserto de bancos, bebedouros e outros equipamentos. Fica a pergunta: a prefeitura da cidade mais rica da América Latina não dispõe de reserva financeira para pequenos reparos?

A preocupação dos cidadãos que se colocam contra os pontos de alimentação é justificada por vários questionamentos: houve estudo técnico aprofundado? Como funcionará a logística de implantação dos restaurantes e quiosques? Como será o abastecimento? Como será o descarte do lixo, pois haverá fartura de restos de alimentos que irá impactar a vida dos animais silvestres e não silvestres? E outras tantas perguntas que não se têm respostas.

Ser contra os polos gastronômicos significa impedirmos que as áreas verdes da cidade sejam ocupadas gradativamente para outros fins. É um processo que caminha para a privatização. Por esse motivo diversas associações recorreram ao Ministério Público a fim de impedir que esse projeto seja implantado. A prefeitura precisa voltar atrás e começar do zero. Os conselhos gestores e os munícipes precisam ser ouvidos e respeitados.

No momento em que as mudanças climáticas vêm causando enormes estragos em todo o planeta, sobretudo nas áreas urbanas, a defesa da natureza se torna uma prioridade. Parque não é shopping.

TENDÊNCIAS / DEBATES

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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Folha de S.PauloIndependentCenter8 days ago
Should the parks receive the food of the mics?

The article criticizes a proposal by the City Hall of São Paulo to create gastronomic hubs within public parks, arguing that it would harm the preservation of green areas. The piece highlights that these parks have become crucial refuges for urban wildlife and provide resistance to air and noise pollution.

Bias read (Center): The article presents a critique of a policy proposal without overtly favoring any political side. It focuses on environmental concerns rather than making explicit political judgments. There is no clear ideological framing or biased language.