O ministro da Administração Interna (MAI), ouvido esta quarta-feira, 17 de junho, no Parlamento, afirmou que "a ameaça de extrema-direita é muito maior" do que a da extrema-esquerda, depois de questionado pelo deputado da IL Rui Rocha sobre qual das ameaças seria maior.
"É evidente que que a extrema-esquerda radical está numa ascenção do ponto de vista europeu e é evidente que já teve aqui atos" , reconheceu Luís Neves, mas sublinhou, em relação à extrema-direita: "Têm armas, matam, ameaçam, coagem."
Para justificar a sua posição, Luís Neves afirmou que foi "o primeiro a condenar o arremesso do cocktail Molotov na Marcha Pela Vida", acrescentando que também foi "o primeiro a apelidá-lo" como um "ato terrorista".
Numa declaração final, depois das rondas de perguntas por parte dos deputados, Luís Neves lembrou que foi "polícia durante 30 anos", e que, por isso mesmo, tem uma "matriz de respeito pelo ser humano e pela diversidade do ser humano".
Perante a pergunta que lhe tinha sido feita, sobre qual dos terrorismos era o maior – se da esquerda ou da direita –, Luís Neves lembrou que, quando acabou o curso, quis ser colocado "e tinha o direito de ser colocado na Unidade de Combate à Corrupção", tendo acabo por ser colocado Direção Central de Combate ao Banditismo, que, explicou, "foi criada exclusivamente para combater o terrorismo de extrema-esquerda radical chamada FP-25 de Abril" .
"Quando passado dois anos de ser um jovem coordenador, foram-me entregues à minha responsabilidade o cumprimento de largos, mais de uma dezena, de mandados de detenção sobre os elementos das FP-25 de Abril, que foram todos cumpridos no mesmo dia, com todo o rigor, e foram apresentados ao tribunal", explicou, lembrando também que " muitos desses delinquentes da altura foram amnistiados".
Porém, para sustentar o argumento, o ministro da Administração Interna disse ser "o português mais reconhecido e mais condecorado pelas autoridades espanholas" por ter ajudado " a combater o terrorismo de matriz da ETA e da resistência galega".
Ainda neste campo, o MAI insistiu que, quando aconteceu a agressão com um cocktail Molotov na Marcha Pela Vida , "agora nas funções políticas", assumiu "uma total condenação daquilo que foi feito a quem marchava de uma forma livre, uma liberdade de expressão, por valores em que acredita".
Por isso, saudou também o papel da PSP, por garantir a "ordem, disciplina, respeito pela liberdade e pelos direitos dos outros têm que imperar num país de direito e um Estado de direito democrático".
Regressando ao passado, evocou o momento em que foi colocado na Direção Central de Combate ao Banditismo, lembrnaod que participou "na parte final da investigação à morte trágica de Alcindo Monteiro, um cidadão que foi morto só por ser negro, no 10 de junho de 1995".
O ministro da Administração Interna lembrou que participou na fase final da investigação da mote de Alcindo Monteiro, assassinado no Bairro Alto em 1995. Foto: Gerardo Santos
"Depois dessa investigação, liderei outras dezenas de investigações que levou à dezena de detenções de elementos de matriz da extrema-direita radical violenta. Mataram, homicídios consumados, homicídios tentados, pessoas que ficaram com graves sequelas para o resto da vida. Atacaram pessoas só porque são de esquerda ou porque são mulheres, cometeram crimes contra a diversidade, crimes que são absolutamente abomináveis na nossa forma de estar de vida, respeito pela forma dos outros em toda a modalidade de diferença do ser humano", reconheceu o ministro.
MAI pede que se evite generalizações face a imigrantes
" Não podemos generalizar e, sobretudo, não podemos colocar franjas de população"contra a restante população, apelou esta quarta-feira, 17 de junho, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, numa audição regimental na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias , depois de ser questionado pelo deputado do Chega Pedro Pinto sobre por que motivo o Primeiro Comando da Capital – organização ligada ao tráfico de droga no Brasil – não é considerada uma organização terroristo, tal como acontece com o movimento "antifa".
Pedro Pinto ainda lembrou uma notícia, sem especificar que órgão de comunicação a deu, cujo título era, de acordo com o líder parlamentar do Chega, "Imigrante com pedido de asilo agride grávida à saída da Segurança Social".
Luís Neves explicou, relativamente ao primeiro tema, que no que diz respeito ao Primeiro Comando de Capital (PCC) e ao Comando Vermelho, "há aqui uma diferença de concepção".
"Uma coisa é crime organizado, a outra coisa é terrorismo. São penalidades distintas", explicou ao deputado do Chega, lembrando que em ambas "as organizações criminosas" a "penalidade máxima" é aplicada, isto é, 25 anos de prisão.
Vincando que "o terrorismo é uma atividade, o crime organizado é outra", Luís Neves considerou que " não podemos estar aqui a falar de casos isolados e extrapolar o isolado para o global daquilo que é a atividade" .
"Portugal, a…
Read the full article at Diário de Notícias →