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BRCulture2 days ago

The music industry should copy football and pay for brand use.

The article discusses how sports brands use bright colors like shocking pink on athletes' shoes during high-profile events such as the World Cup to maximize visibility and individual expression. It suggests that the music industry could adopt a similar approach by using vibrant colors on instruments to enhance the visibility and individuality of musicians, particularly in orchestral settings where uniformity often makes individual players less noticeable.

Quem sintoniza nos jogos da Copa do Mundo de 2026 depara-se com um fenômeno cromático nas transmissões em altíssima definição: os pés de atletas de dezenas de seleções foram tomados por tons vibrantes de rosa-choque. A escolha das gigantes do material esportivo não é casualidade estética, mas cálculo matemático. No círculo cromático, o rosa opera como cor complementar ao verde, gerando o máximo contraste possível contra o gramado. Sob os holofotes do maior espetáculo da Terra, a visibilidade virou commodity, e o calçado tornou-se o único espaço de livre expressão individual do jogador.

Essa lógica de guerrilha comercial deveria ecoar fora dos estádios, apontando caminhos para outro setor que historicamente confina seus profissionais à sobriedade visual: a fabricação de instrumentos musicais. Se os gramados adotaram o rosa para destacar o produto e o atleta, os palcos, marcados pela penumbra e pela padronização, oferecem um ecossistema fértil para que instrumentistas usem as cores como passaporte para o protagonismo.

Embora já existam instrumentos coloridos, nos naipes de cordas, o conservadorismo impera. Violinos, violas, violoncelos e contrabaixos mantêm o monopólio do verniz marrom e das madeiras nobres há séculos. No entanto, o músico de orquestra frequentemente se dilui na massa uniforme do coletivo. Se algumas marcas seguissem a cartilha das chuteiras de alta visibilidade, a introdução de, por exemplo, espelhos de escala, cravelhas ou arcos em polímeros fluorescentes criariariam pontos de captação de luz sob a iluminação cênica. Para violonistas e guitarristas, que já flertam com o colorido, a estratégia ganharia tração nas cordas revestidas por películas neon. Em vídeos verticais de redes sociais, o movimento frenético de dedos sobre cordas que brilham no escuro transforma a técnica em espetáculo visual instantâneo, convertendo o instrumentista anônimo em um polo de atenção.

O desafio nos instrumentos de sopro é de outra ordem, mas preserva a mesma essência. Embora também existam instrumentos coloridos, flautas, trompetes e saxofones são historicamente limitados ao dourado do latão ou ao prateado do níquel ou prata. Aqui, o equivalente à disrupção reside na quebra da metalurgia tradicional. O uso de lacas coloridas translúcidas ou acabamentos iridescentes — que mudam de cor conforme o ângulo da luz — rompe a monotonia dos metais. Um saxofonista que empunha um instrumento em tom azul-cobalto ou roxo fosco em um festival de jazz deixa de ser apenas o executor de um solo; ele se torna o centro gravitacional do palco. O instrumento ganharia status de extensão de sua identidade, operando como o calçado rosa que diferencia os craques do restante do time.

Na percussão, onde o volume físico dos equipamentos já garante presença, as cores resolvem o problema da desconexão. Bateristas e percussionistas costumam ficar confinados ao fundo do palco, atrás de anteparos e ferragens. Para esses músicos, talvez a aplicação de peles de bateria holográficas ou pratos com revestimentos em tons vibrantes funcionaria como o contraste da chuteira no campo. Marcas que apostam em baquetas com fitas reflexivas ou pratos em preto fosco com logotipos em neon transformariam o movimento rítmico, muitas vezes invisível para quem está na plateia, em uma performance altamente diagramada para as telas.

O marketing esportivo percebeu que o produto precisa ser imediatamente reconhecível à distância. Ao transportar essa premissa para a música, a indústria não apenas fomentaria o mercado de acessórios, mas subverteria a lógica do coadjuvante. Vestir os instrumentos com ousadia cromática seria uma forma de garantir que, quando o som ecoar, os olhos do espectador saibam exatamente quem está no comando do espetáculo. "Ah, mas é feio e brega", dirão os puristas. Embora modelos coloridos existam há muito tempo, já passou da hora de o mercado rever a paleta monocromática dominante nos grandes palcos.

As chuteiras coloridas representam uma estratégia de branding e marketing de guerrilha baseada em visibilidade e destaque individual dentro de um uniforme padronizado. Fabricantes de instrumentos musicais deveriam adaptar essa mesma tática. A indústria poderia lançar coleções de edição limitada com cores neon ou acabamentos iridescentes em parceria com artistas de ponta durante grandes festivais, transformando o equipamento na assinatura visual do músico. No futebol, a chuteira é o espaço por excelência para exercer o patrocínio pessoal. Na música, os fabricantes poderiam permitir tais personalizações — como cordas, correias, pratos holográficos ou cabos neon —, permitindo que o músico expresse sua identidade sem alterar a acústica do equipamento.

Há também um fomento à confiança e à atitude. Marcas esportivas descobriram que tons vibrantes aumentam a autoconfiança e a sensação de alta performance dos atletas no momento de maior pressão. Instrumentos com designs arrojados talvez possam tirar o músico da zona de conforto, ajudando-o a quebrar…

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Folha de S.PauloIndependentCenter2 days ago
The music industry should copy football and pay for brand use.

The article discusses how sports brands use bright colors like shocking pink on athletes' shoes during high-profile events such as the World Cup to maximize visibility and individual expression. It suggests that the music industry could adopt a similar approach by using vibrant colors on instruments to enhance the visibility and individuality of musicians, particularly in orchestral settings where uniformity often makes individual players less noticeable.

Bias read (Center): The article presents an opinion on how the music industry could adopt practices from the sports industry without taking a clear ideological stance. The framing is neutral, focusing on aesthetics and visibility rather than political or social issues. There is no evident bias toward any particular政治立场