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BRCulture2 days ago

Candomblé party changes the streets of Santo Amaro (BA)

The article describes the Bembé do Mercado, a large street-based Candomblé celebration held in Santo Amaro, Bahia, during May. The event commemorates the abolition of slavery in Brazil and highlights the resilience of the Black community. The ceremony includes religious rituals, dance, and homage to historical figures such as Dona Canô, mother of musician Caetano Veloso. Participants emphasize themes of religious freedom, respect, and food security.

Andar pelas ruas de Santo Amaro, a cerca de 80 km de Salvador , é visitar pedaços da história brasileira. Durante o mês de maio, essa experiência na Bahia fica mais intensa ao acompanhar o Bembé do Mercado, considerado por seus membros o maior candomblé de rua do mundo.

A celebração religiosa e cultural na Bahia narra a resistência do povo negro durante a abolição da escravatura. Nos últimos 137 anos, um barracão de axé é montado na praça principal da cidade.

A reportagem da Folha acompanhou em maio o cortejo. Fala-se de candomblé de rua porque geralmente esse tipo de manifestação ocorre em espaços fechados como casas ou terreiros de axé.

O cortejo do Bembé passava em frente à casa de Dona Canô (1907-2012), mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia . Lá parava como uma saudação à matriarca.

A partir de 13 de maio, dia da abolição da escravatura no Brasil , reúnem-se filhos e filhas de santo para o xirê. A dança é uma grande roda em saudação aos orixás.

Segundo o vice-presidente da Associação Bembé do Mercado, Babá Geri, os participantes reivindicam o direito à liberdade religiosa, ao respeito e à segurança alimentar.

"O Bembé nasce sob o cunho de falsa liberdade, mas com o tempo nós ressignificamos essa data e hoje ele celebra a vida e a liberdade religiosa. É importante para que a gente possa compreender e estudar a manutenção e sobrevivência das comunidades pretas do Brasil", afirma Geri, que é babakekerê (ou "pai pequeno", um cargo no candomblé).

Além dos rituais de fé, o evento transforma a cidade em um grande palco a céu aberto. Muitas manifestações culturais tomam as ruas e animam o povo, vão das batidas de bastões do maculelê à ginga da capoeira.

As comidas sagradas também estão presentes. Dentro do barracão são partilhados o ipeté de Oxum e o amalá de xangô. Fora, é servida a feijoada de ogum e o povo bebe dançando o samba de roda tradicional da região.

Em 2026, participaram representantes de 68 terreiros, em cinco dias de programação, entre os últimos 13 e 17 de maio. O ato virou uma tradição que passa por várias gerações dos adeptos das religiões de matriz africana.

A yalaxé (cargo feminino no candomblé) Geovana da Cruz Pires, 29, estava grávida quando "fez o santo", ritual do candomblé, e participou do Bembé. A filha já tem 10 anos e nunca deixou de frequentar o evento. "Eu amo aqui, há muito tempo. Desde 1 ano que eu frequento o Bembé do Mercado, só agradecendo a minha ancestralidade", diz a menina que é egbome.

A história que começa em 1889, exatamente um ano após a assinatura da Lei Áurea, teve como protagonista o líder religioso João de Obá. Ex-escravizado de origem malê, ele reuniu o povo preto para celebrar a conquista da liberdade. Fincaram uma bandeira branca na praça do mercado municipal e levaram o culto dos terreiros para as ruas.

Após concluir os rituais na praça, os participantes saem para entregar os balaios, presentes preparados pelos terreiros, para Iemanjá e Oxum.

Em um caminhão, rodam as ruas da cidade com paradas em alguns pontos de saudação. Ao redor da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Purificação dão quatro voltas. Também passam por terreiros e casas de personalidades locais. O destino é a praia da Vila de Itapema, onde os presentes são soltos no mar ao cair da tarde de domingo.

"Começamos a cozinhar às 4h do sábado e a finalidade é trazer saúde, paz e afirmação. Todo terreiro de candomblé quando termina uma obrigação, termina com o presente que é a finalização do axé", explica Mãe Williana de Odé, 53, ialorixá (líder) do Ilê Axé Ojú Igbô Odé.

A historiadora Ana Rita Araújo Machado, 52, professora da Uneb (Universidade do Estado da Bahia), pesquisa a festa desde 1997. Ela define o ato como uma transgressão. "Do ponto de vista ancestral, aquilo demarcou um território. A gente está falando de ocupação de espaço político por um grupo de marisqueiras, pescadores e pessoas do candomblé dizendo ‘já que existe estatuto da liberdade, eu quero estar no espaço da cidade’".

O local escolhido, no largo do Mercado, é simbólico porque anos antes era também um espaço de venda de escravizados.

Segundo Machado, com o Bembé é devolvido o protagonismo da abolição aos negros que resistiram. Funciona como um contraponto ao que foi propagado com foco na princesa Isabel dando a libertação dos escravos , sobre as pessoas que lutaram pelo fim das correntes.

Como marco cultural do Recôncavo baiano, o Bembé do mercado é reconhecido como Patrimônio Imaterial da Bahia desde 2012.

O título de Patrimônio Cultural Nacional foi dado sete anos depois e tramita um processo na Unesco para ser Patrimônio da Humanidade. O reconhecimento também chegou na Marquês de Sapucaí, como tema do carnaval 2026 da Beija-flor de Nilópolis .

"A gente está dando continuidade a um legado. Então, é de muita responsabilidade e de muita importância que a gente mantenha essa memória ancestral viva", afirma pai Léo de Xangô, 31, do Ilê Axé Okan Aganjú. "Levar o que há de melhor do nosso povo, do povo preto, levar o…

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Folha de S.PauloIndependentCenter2 days ago
Candomblé party changes the streets of Santo Amaro (BA)

The article describes the Bembé do Mercado, a large street-based Candomblé celebration held in Santo Amaro, Bahia, during May. The event commemorates the abolition of slavery in Brazil and highlights the resilience of the Black community. The ceremony includes religious rituals, dance, and homage to historical figures such as Dona Canô, mother of musician Caetano Veloso. Participants emphasize themes of religious freedom, respect, and food security.

Bias read (Center): The article provides a descriptive account of a cultural event without overt political commentary or biased framing. It focuses on the historical and cultural significance of the Candomblé tradition and does not take a stance on political issues.