O sistema de prescrição electrónica médica (PEM), usado para prescrever exames e medicamentos, esteve a funcionar de “forma intermitente” durante a manhã desta terça-feira. Nas farmácias, a normalidade também ainda não está reposta, gerando dificuldades na dispensa da medicação aos utentes. Os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), entidade responsável pela gestão dos sistemas informáticos do SNS, confirmam que registaram uma pagarem da PEM durante esta manhã, durante 18 minutos, e asseguram que estão a trabalhar para “melhorar o desempenho” do sistema.
As dificuldades de acesso à PEM, segundo o que apurou o PÚBLICO, não são permanentes. Por vezes, o sistema funciona, mas noutras dá erro ou não se consegue aceder por breves momentos. “Já ontem [segunda-feira] aconteceram algumas intermitências. E esta manhã também. O sistema não está nada estável”, confirma ao PÚBLICO André Biscaia, presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar.
Ao médico de família têm chegado relatos de outros colegas, de outras zonas do país, que têm sido o mesmo problema. “É preciso entrar no sistema várias vezes e voltar ao início porque não permite avançar”, referiu o médico, acrescentando que também teve colegas a queixaram-se de intermitências no funcionamento do S-Clinic durante a manhã desta terça-feira, sendo que este é o programa que permite aceder ao acesso clínico dos doentes.
Também o vice-presidente da Associação Nacional de Medicina Geral e Familiar confirmou a existência de dificuldades na utilização da PEM. “Está mais intermitente. Dá numas consultas e noutras não”, referiu António Luz Pereira. “Às vezes o sistema dá erros, depois passado um tempo fica indisponível, depois volta a dar”, descreveu, adiantando que lhe têm chegado relatos de médicos de várias zonas do país a registar estas “intermitências” do sistema. O médico adiantou que o acesso ao processo clínico dos utentes tem estado a funcionar.
Questionada sobre a existência de problemas no sistema de prescrição electrónica, os SPMS confirmaram a existência de um período de “18 minutos, durante a manhã, em que o sistema esteve em baixo”, mas sem indicação de mais dificuldades. Afirmaram estar a “acompanhar a situação” e asseguraram que estão a “trabalhar para melhorar o desempenho do sistema”.
Nas farmácias, depois da falha dos sistemas do SNS que aconteceu no final da semana passada, a situação ainda “está longe da normalidade”, adiantou a Associação Nacional de Farmácias. A presidente Ema Paulino tem recebido relatos de várias farmácias que precisam de “tentar várias vezes” para entrar no sistema que lhes permite ver o receituário e fazer a dispensa dos medicamentos passados pelos médicos. Se não conseguirem aceder à PEM, não conseguem abrir a prescrição nem dispensar o medicamento.
“Isto causa constrangimentos no acesso à medicação. Durante a manhã, entre as 11h00 e as 13h00, o sistema funcionou de forma intermitente”, disse a responsável, referindo que na segunda-feira também houve alguma instabilidade. Para contornar a situação, quando existe um guia de tratamento que tem o código da medicação, a farmácia consegue fazer a dispensa fora do sistema, explicou Ema Paulino.
Na passada sexta-feira, dia 12, uma falha de energia no centro de dados do SNS provocou fortes constrangimentos nos centros de saúde e nos hospitais, deixando os médicos sem acesso à informação clínica dos doentes e sem os sistemas usados para prescrever medicamentos e exames, com as receitas acabaram por ser passadas de forma manual, como o PÚBLICO noticiou. Nas farmácias registaram-se igualmente dificuldades na dispensa da medicação.
Na altura, os SPMS adiantaram que, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, “está a implementar, até ao final deste ano, um segundo pólo da sua infra-estrutura central, garantindo assim maior redundância e garantia de disponibilidade”.
Durante o fim-de-semana continuaram a registar-se alguns problemas . Ontem, segunda-feira, a Ordem dos Médicos exigiu que fossem dados esclarecimentos urgentes, por parte dos SPMS, sobre a falha de energia. Segundo a Ordem, "previsivelmente mais de 150.000 consultas e actos clínicos programados ficaram sem registo informático em tempo real", em que "muitas consultas não se realizaram ou foram adiadas".
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