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A cidade de Torres Vedras, no distrito de Lisboa e a cerca de 50 quilômetros ao Norte da capital, quer atrair profissionais da área da saúde, sobretudo enfermeiros. É o que afirma Manuel Guerreiro, presidente da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Torres Vedras, que construiu, em parceria com a Câmara Municipal e a Faculdade de Medicina de Lisboa, um hospital. “Construímos um hospital aproveitando uma estrutura antiga de um sanatório e estamos chamando brasileiros [para trabalhar] e, em termos de tecnologia, chamando chineses”, disse ele ao PÚBLICO Brasil, durante participação no Nova Next, evento que reúne em Aveiro investidores em startups .
Segundo Guerreiro, há uma carência grande de enfermeiros em Portugal e em toda a Europa, onde boa parte da população está envelhecida e precisa de cuidados com a saúde. Ele ressaltou que os profissionais brasileiros têm facilidade de ingresso em Portugal, pois precisam passar por apenas um ano de estágio, ao contrário dos médicos , que são submetidos a sucessivas provas para comprovarem a formação.
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“Os enfermeiros brasileiros que fazem estágio durante um ano [em Portugal] são equiparáveis aos enfermeiros portugueses. Não têm que repetir um curso de três anos”, assinalou o executivo, defendendo que sejam criadas as condições para que enfermeiros brasileiros se sintam motivados a cruzarem o Atlântico. “Nós, a Europa, somos imensamente carentes de enfermeiros. Portanto, é inteligente criar essas condições de base. Nós temos que acolher os médicos brasileiros, os enfermeiros brasileiros que querem participar dentro da nossa comunidade”, disse.
E acrescentou: “É fundamental, e é isso que nós vamos fazer, porque nós temos um problema em termos de demografia.” Para ele, é “uma coisa maravilhosa” ter como parceiro um país com 220 milhões de habitantes, como o Brasil. “É uma reserva humana que tem tudo a ver conosco”, enfatizou. Na avaliação dele, apesar de também haver ligações do Brasil com a Espanha, os brasileiros têm muito mais “identificação com Portugal”. “Então, isso é magnífico, é maravilhoso.”
Vistos mais rápidos
O presidente da Caixa de Crédito Agrícola ressalta que, para atrair os profissionais brasileiros da área da saúde, Torres Vedras tem de oferecer boa qualidade de vida. “O que nós precisamos fazer é uma coisa óbvia, criar condições de vida que sejam apelativas”, frisou. Segundo ele, os brasileiros não podem pensar que só se vive bem em Portugal estando em Cascais, reduto de milionários oriundos do Brasil. “Nós temos de pensar que não é só Cascais que tem condições apelativas para um determinado target do Brasil. O que nós temos de fazer é atrair mão de obra ao nível de uma classe média que venha a acrescentar, e o Brasil tem tudo para acrescentar”, complementou.
Guerreiro lembrou que há um estatuto de cooperação e de igualdade, que foi assinado em 1971 entre Portugal e Brasil, em que algumas profissões têm facilidade de serem reconhecidas dos dois lados do Atlântico, entre elas, a de enfermeiros. “Portanto, temos que reativar isso e dar valor à formação universitária do Brasil em relação à portuguesa e tentar promover essa ligação” afirmou. As facilidades para atrair os profissionais, acredita o executivo, passam ela concessão mais rápida de vistos de trabalho e pelo reconhecimento de diplomas sem burocracia.
Hoje, calcula Guerreiro, cerca de 4% da população de Torres Vedras são de brasileiros. “Inclusive, no meu banco, há brasileiros trabalhando. Repare, o último admitido trabalhava no Canadá. E, do Canadá até São Paulo, e depois até Minas Gerais, ele apanhava três voos. Portanto, eram 27 horas de avião. E, para aqui, são nove horas. Nós temos que ser inteligentes no sentido de irmos captar esse valor que as nossas empresas precisam”, disse, ressaltando que, na área de medicina, há um interesse em especialistas brasileiros em cirurgia ocular.
Mais investidores
Além de enfermeiros e médicos, Torres Vedras quer atrair investidores. Para isso, segundo Guerreiro, a Caixa de Crédito Agrícola tem cerca de 800 milhões de euros disponíveis para liberar em financiamentos a empreendimentos. Ainda que o principal negócio da instituição seja o crédito agrícola, ele assinalou que há recursos para todos os setores que apresentem projetos viáveis e economicamente sustentáveis.
As operações do banco financiando o setor produtivo, por sinal, tem contribuindo, no entender de Guerreiro, para que o produto interno bruto (PIB) de Torres Vedras cresça, assim como a população. Ele destacou que, do ponto de vista territorial, a cidade é do tamanho de Cascais e é dez vezes superior a Oeiras. “Hoje, cada vez mais, nós temos [recebido] investimentos [brasileiros). Temos, por exemplo, a maior transformadora de açaí da Europa. E fomos nós que t…
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