Crianças que vivem na China estão aprendendo a economizar e administrar o próprio dinheiro por meio de uma metodologia brasileira de educação financeira.
São filhos de famílias migrantes que moram na periferia de Xangai e participam de dinâmicas com jogos pedagógicos enviados pelo Instituto Brasil Solidário (IBS) à ONG Stepping Stones, dedicada a ampliar o acesso à educação no país asiático.
Desde novembro de 2025, a organização, que atende cerca de 100 alunos, utiliza versões traduzidas dos jogos Piquenique e Bons Negócios durante as aulas de inglês. A proposta é desenvolver habilidades relacionadas ao planejamento financeiro, empreendedorismo e tomada de decisões.
O Piquenique é um jogo de tabuleiro que simula situações cotidianas de consumo, incentivando escolhas conscientes e a prática da poupança . Já o Bons Negócios é baseado em negociação e investimentos, usando cartas para ensinar estratégias de multiplicação dos recursos poupados.
Além da educação financeira, as atividades abordam temas como cidadania, sustentabilidade , consumo consciente e trabalho em equipe.
Segundo María Eugenia Robles, gerente de projetos internacionais do IBS, a parceria surgiu do interesse da instituição brasileira em testar sua metodologia no contexto asiático e promover intercâmbios com sistemas educacionais de referência. Atualmente, a instituição já atende crianças e jovens de países latino-americanos como Panamá e Costa Rica, além do Brasil.
Inicialmente, apenas duas unidades dos jogos foram enviadas. Com a forte adesão dos estudantes, outras 24 devem chegar nas próximas semanas.
"Recebemos retornos muito positivos, especialmente da aplicação do Bons Negócios. Já há crianças de 12 anos jogando, enquanto no Brasil e em outros países da América Latina a faixa etária costuma variar entre 13 e 15 anos. A direção da Stepping Stones atribui esse interesse à forte cultura empreendedora presente na Ásia ", afirma Robles.
Em um ambiente altamente conectado à tecnologia , os jogos de tabuleiro e cartas também ajudaram a afastar temporariamente as crianças das telas, mantendo o foco no raciocínio econômico, segundo relatos dos voluntários da ONG asiática.
Outro benefício observado foi o estímulo à prática do inglês. "Muitos alunos migrantes hesitam em falar em ambientes formais por medo de errar. Os jogos criam um espaço seguro e sem pressão, onde usar o inglês para se comunicar parece natural, e não uma prova", explica Teddy Shi, diretor da Stepping Stones.
Shi destaca ainda o impacto dos jogos no desenvolvimento de competências socioemocionais dos estudantes, oriundos de países como Sri Lanka e Bangladesh , como respeito às regras, alternância de turnos, cooperação e capacidade de lidar com vitórias e derrotas.
"Essas habilidades sociais, pouco trabalhadas em escolas com menos recursos, ajudam a desenvolver confiança e resiliência. São competências que se refletem na vida escolar, familiar e profissional", afirma.
Além do envio de novas unidades, o IBS pretende realizar oficinas virtuais para capacitar os voluntários da ONG na aplicação da metodologia. O resultado da experiência em Xangai também tem motivado a instituição a buscar novas parcerias em países como o Japão, além de ampliar a tradução de seus jogos para o inglês.
Para Robles, os jogos mostram que o ensino da gestão do dinheiro gera impactos positivos na vida de crianças e jovens de diferentes realidades.
"Por meio das decisões que tomam durante as partidas, os alunos aprendem a evitar compras impulsivas, poupar, planejar e definir prioridades. Assim, desenvolvem não apenas educação financeira, mas também projetos de vida", diz ela.
A Causa do Ano 'Educação Financeira Transforma’ conta com o apoio do IBS (Instituto Brasil Solidário).
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