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Quem já investigou os Bolsonaro por obrigação da profissão, como é o nosso caso aqui na Agência Pública , sabe que atacar a imprensa é o modus operandi da família quando ela quer se livrar de qualquer suspeita ou acusação séria que merece uma boa explicação. É o velho: “shoot the messenger” – mate o mensageiro – e assim as pessoas esquecerão a mensagem. Não à toa, durante a presidência de Jair, o mandatário foi quem mais atacou os profissionais do jornalismo: foram 570 no total, um ataque a cada dois dias e meio , segundo levantamento da Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ).
Pois um documento interno da produção do filme Dark Horse demonstra que um dos principais objetivos do filme era atacar a imprensa e associá-la a uma suposta conspiração para matar Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018 , quando ele levou uma facada de Adélio Bispo – que, segundo três investigações da Polícia Federal (PF), agiu sozinho.
No argumento obtido com exclusividade pela Pública , o autor, hoje deputado federal Mário Frias Filho, apresenta como personagem antagonista a Bolsonaro uma jornalista que tem ligações com o Partido Comunista, ajudou a guerrilha de Carlos Lamarca e criou desinformação para prejudicar o político. O filme, segundo o documento, teria o objetivo de “atrair o público para a nossa história e traçar o desenvolvimento de um herói cristão, com foco em sua Missão Divina de transformar o povo brasileiro.”
Foi esse argumento enviado ao diretor e roteirista Cyrus Nowrasteh para servir como base para o roteiro final do filme – Nowrasteh recebeu 57 mil dólares logo de cara, em 2024, conforme revelou a Agência Pública , em pagamento que a produtora tentou enviar através de uma empresa húngara.
Ao ler o argumento, Cyrus pediu mais detalhes: “Como os jornalistas cooperaram com a oposição [a Jair Bolsonaro]? Como eles encobriram o assassinato e fizeram parecer que foi obra de um louco solitário [Adélio Bispo]? É preciso transmitir a esmagadora parcialidade da mídia brasileira” .
Além de Mário Frias, o argumento também é assinado por Walther Neto, da WN produções.
Walther Neto afirmou que trabalhou no argumento original entre o final de 2022 e 2023, e não teve mais contato com a produção desde então.
Segundo ele, durante a colaboração ele ajudou a desenvolver, a pedido de Frias, a personagem fictícia da jornalista como parte de uma ampla gama de “antagonistas” à trajetória de Jair Bolsonaro, incluindo ainda personagens de congressistas e generais. “Isso é uma liberdade e uma estratégia de roteiro e não tinha objetivo de representar toda a imprensa. É apenas uma alegoria e uma estratégia de criar antagonistas dentro de uma estrutura clássica de roteiro”, afirma.
Neto afirma que no argumento que participou, a facada era apenas um elemento menor e não tinha o papel central que acabou adquirindo no roteiro final. “Não tenho absolutamente nenhuma relação com o Dark Horse, não sei a linha que foi feita nem o roteiro que foi adotado. Não escrevi o roteiro, apenas ideias”.
Procurado pela coluna, Mário Frias Filho não respondeu até a publicação.
O espaço segue aberto.
A jornalista “Iara”
O argumento desenvolvido por Mário Frias Filho repete uma mentira inventada por Bolsonaro – que ele teria ajudado a localizar o líder guerrilheiro Carlos Lamarca no Vale do Ribeira em 1975 – para criar a origem da principal antagonista, a jornalista Iara Lima, cujo objetivo expresso é “ representar as ações da imprensa contra Jair” .
Iara seria uma estudante de 18 anos na época da operação militar contra Lamarca, filha de políticos influentes no Rio de Janeiro e ligada ao Partido Comunista. Ela teria fugido ao cerco militar “e sempre acreditou que o jovem Jair foi um dos responsáveis pela morte de seus companheiros durante o ataque do exército no Vale do Ribeira, em SP”.
Como sabemos, Jair não teve nenhum papel no cerco, a Lamarca escapou à operação sem precedentes, que usou até bombas de Napalm na região do interior de São Paulo.
“Ela perdeu companheiros nessa batalha e tinha laços pessoais com organizações terroristas da época que estiveram envolvidas em diversos assassinatos e sequestros”, detalha o argumento. Anos depois, como jornalista, ela usaria sua “arma poderosa contra Jair”.
“Suas histórias são usadas pela mídia para criticar, deturpar e distorcer a verdade. Ela é uma inimiga declarada de Jair “, diz o documento.
A construção da personagem de Iara passa ainda pela “distorção” de discursos e falas de Bolsonaro no início da sua carreira política. Tratada como “oponente política”, a personagem “sempre escreve informações distorcidas sobre os fatos”. Entre as tentativas de “desacreditar” Bolsonaro estariam a criação de “estereótipo”, como retratá-lo como “machista” e “tirano”.
Durante a campan…
Read the full article at Agência Pública →📄Source document: Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ)
4 reports
Agência PúblicaIndependentLeft5 days ago Exclusive: Original Dark Horse plot had journalist as enemy number oneThe article discusses an internal document from the production of the film 'Dark Horse,' which reveals that one of the film's main objectives was to attack the press and link it to a supposed conspiracy to assassinate Jair Bolsonaro during his 2018 election campaign. The author of the script, now federal deputy Mário Frias Filho, portrays a journalist with ties to the Communist Party as the antagonist, who allegedly supported the guerrilla movement led by Carlos Lamarca and spread disinformation.
Bias read (Left): The article frames the film 'Dark Horse' as an attack on the press and implies a conspiracy theory involving journalists linked to the Communist Party. It presents the film's narrative as biased against the press and suggests a political motive behind the portrayal of journalists as antagonists. The
Official sources cited
- organisation Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ)
- organisation Polícia Federal (PF)
Folha de S.PauloIndependentCenter6 days ago Mario Frias recorded 'Dark Horse' and attended the session in the Chamber on the same day, indicate documentsMario Frias, a member of the PL party and a deputy, was filming scenes for the movie 'Dark Horse,' which portrays the former president Jair Bolsonaro, while also attending a session in the Chamber of Deputies on the same day, according to production schedules obtained by the report. Frias played a doctor who treated Bolsonaro after an assassination attempt. According to people involved in the filming, Frias attended the set almost every day between October 20 and December 7 of last year and sometimes arrived using an official car.
Bias read (Center): The article presents factual information without overtly favoring any political side. It reports on Mario Frias' dual role as an actor and politician, his involvement in the film 'Dark Horse,' and his attendance at a parliamentary session on the same day he was filming. The article does not use emot
Folha de S.PauloIndependentCenter8 days ago Producer declares spending R$75 million on 'Dark Horse' and can postpone the screening of the film after the wear and tearThe film 'Dark Horse,' produced in honor of former President Jair Bolsonaro, had a total cost of $13.4 million (approximately R$75 million). According to a private audit commissioned by Go Up Entertainment's defense, the production did not receive any public incentives or funding.
Bias read (Center): The article presents factual information about the film's budget and funding without overtly favoring either side. It does not include commentary or framing that suggests a particular ideological stance.
Official sources cited
- organisation Go Up Entertainment's Defense
Gazeta do PovoIndependentCenter8 days ago TSE rejects a request to suspend the broadcast of Dark Horse in the election periodThe Brazilian Electoral Court (TSE) rejected a request to suspend the screening of the film 'Dark Horse,' which is a biographical movie about Jair Bolsonaro.
Bias read (Center): The article reports a factual decision by the TSE without apparent framing or slant. It does not include commentary, opinion, or biased language. The focus is on the court's rejection of a request, which is presented neutrally.
Official sources cited
- government TSE (Brazilian Electoral Court)