Segundo as agências Fars e Al-Mayadeen, as autoridades iranianas argumentam que os ataques israelitas no sul do Líbano, menos de 24 horas após a assinatura eletrónica do acordo, constituíram uma violação direta das obrigações dos EUA no âmbito do pacto.
A delegação iraniana estava a preparar-se para viajar para a Suíça para a primeira ronda de negociações quando Teerão cancelou abruptamente a viagem.
As autoridades iranianas afirmam agora que não cumprirão os seus compromissos até terem a plena certeza de que os ataques israelitas ao Líbano cessaram e que os EUA cumpriram os requisitos da primeira cláusula do acordo. De acordo com o memorando de entendimento entre Washington e Teerão, estava previsto um cessar-fogo imediato em todas as frentes, incluindo o Líbano.
Segundo o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, “a agenda do Líbano é uma prioridade máxima para o Irão”.
A primeira ronda de negociações entre os EUA e o Irão está agora, efetivamente, cancelada.
Rosário Salgueiro, enviada da RTP a Bürgenstock, explica o que o memorando de entendimento não está em causa e que o que foi adiado foram as negociações de 60 dias.
"Linhas vermelhas" de Teerão
O chefe da equipa de negociação do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, insistiu esta sexta-feira na necessidade de respeitar as "linhas vermelhas" do Irão.
"Como demonstrámos ao longo de negociações anteriores, mantivemo-nos firmes no respeito pelas condições e linhas vermelhas estabelecidas e na defesa dos interesses da nação iraniana", disse Ghalibaf, citado pela agência de notícias IRNA.
"Se o inimigo se tornar excessivo" nas suas exigências, "provamos que estamos prontos para retaliar e que não hesitaremos em dar uma resposta contundente", acrescentou Ghalibaf, que é também o presidente do Parlamento. Tráfego retomado no Estreito de Ormuz Entretanto, o tráfego foi retomado no Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica para o comércio global de hidrocarbonetos, que tinha sido bloqueada pelo Irão desde o início da guerra. Os Estados Unidos, por sua vez, impuseram um bloqueio aos portos iranianos.
Um total de 25 embarcações comerciais transitou pelo Estreito de Ormuz na quinta-feira , após um acordo que permitiu a sua reabertura no dia anterior. Este volume é cinco vezes superior à média dos primeiros dez dias de junho e sem precedentes desde meados de abril , segundo dados da plataforma de rastreio marítimo AXSMarine, publicados esta sexta-feira.
Este é o número mais elevado num só dia desde as 28 travessias registadas a 18 de abril. Esta data coincidiu com um breve período de reabertura ao tráfego comercial no estreito, que é controlado de facto pelo Irão e por onde passam normalmente quase 20% da produção global de petróleo e outras matérias-primas cruciais.
A televisão estatal iraniana, citando um comunicado do Conselho Supremo de Segurança Nacional do país, anunciou que os navios que desejassem transitar pelo estreito deveriam submeter os seus pedidos a um novo órgão governamental.
De acordo com os termos do protocolo, "nenhuma taxa" será cobrada "por um período de 60 dias", reiterou.
Refletindo os receios renovados, os preços do petróleo voltaram a subir esta sexta-feira, após uma queda acentuada desde o anúncio do acordo, com o petróleo Brent do Mar do Norte, a referência global do mercado, a voltar a ultrapassar os 80 dólares por barril. Israel prossegue com ataques ao sul do Líbano No sul do Líbano, ataques aéreos israelitas mataram 18 pessoas e feriram 33 durante a noite, segundo um balanço preliminar do Ministério da Saúde em Beirute, enquanto o exército israelita reportou a morte de quatro dos seus soldados, incluindo um oficial de alta patente.
Estes são os bombardeamentos mais massivos e o maior número de vítimas desde o anúncio, na segunda-feira, do protocolo Irão-Estados Unidos, que apela à cessação das hostilidades, incluindo no Líbano, onde Israel e o movimento islamita Hezbollah, aliado de Teerão, estão em conflito. "Os intensos ataques aéreos israelitas realizados desde a meia-noite até esta manhã impediram a evacuação dos mártires e dos feridos e resultaram em 18 mortos e 33 feridos, segundo um balanço preliminar", afirmou o Ministério da Saúde libanês em comunicado.
Os ataques atingiram pelo menos 10 localidades próximas da cidade de Nabatieh, no sul do Líbano, incluindo Harouf, onde oito pessoas morreram , de acordo com a Agência Nacional de Notícias Libanesa (NNA).
Outros ataques israelitas atingiram a região de Baalbek, no leste do país, que tinha sido relativamente poupada desde o início do conflito, a 2 de março.
“Todo o Líbano deve arder”, reagiu o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, figura da extrema-direita e importante aliado político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, ao anúncio da morte dos soldados.
A França, por sua vez, pediu a Israel que “respeite” o memorando de entendimento.
c/agências
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