O Governo dos Estados Unidos manifestou preocupações à ASML, gigante holandesa de equipamentos para a indústria dos semicondutores, sobre a possibilidade de uma das suas mais avançadas máquinas de fabrico de chips ter chegado à China, o que violaria as restrições à exportação impostas por Washington, avançou nesta quinta-feira a Bloomberg .
Segundo a agência, o secretário do Comércio norte-americano, Howard Lutnick , transmitiu essa preocupação aos responsáveis da empresa durante uma série de reuniões recentes. Em causa estão as máquinas de litografia por ultravioleta extremo (EUV) da ASML — tecnologia essencial para a produção dos semicondutores mais avançados do mundo.
De acordo com fontes citadas pela Bloomberg, Lutnick questionou os executivos da empresa sobre a eventual presença de um destes sistemas na China. As máquinas EUV são utilizadas por fabricantes como a Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSMC) para produzir processadores para empresas como a Nvidia e a Apple e nunca foram autorizadas para exportação para a China, devido às restrições impostas pelos Estados Unidos durante o primeiro mandato de Donald Trump.
“A ASML nunca enviou uma máquina EUV para a China, nem qualquer componente, módulo ou equipamento especialmente concebido para ser utilizado numa máquina EUV”, declarou a empresa num comunicado enviado à agência Reuters.
A ASML não fabrica chips . A empresa produz as máquinas de litografia — processo que permite "imprimir" circuitos nos chips — , um processo indispensável para o fabrico dos semicondutores mais avançados do mundo.
Os seus equipamentos mais sofisticados utilizam a tecnologia de litografia por ultravioleta extremo (EUV), considerada essencial para produzir os chips de última geração usados em aplicações de inteligência artificial (IA), centros de dados, smartphones e sistemas militares avançados. Os sistemas EUV mais avançados da empresa têm aproximadamente o tamanho de um autocarro escolar e pesam cerca de 180 toneladas. A ASML é actualmente a única empresa capaz de fabricar estas máquinas em escala comercial.
Esta posição singular tornou a ASML numa peça-chave da disputa tecnológica entre os Estados Unidos e a China pelo domínio dos semicondutores . Washington tem procurado limitar o acesso chinês às tecnologias mais avançadas de fabrico de chips , incluindo as máquinas da empresa holandesa, por receio de que estas possam reforçar as capacidades tecnológicas e militares de Pequim.
Em Abril, Washington propôs legislação que exige aos seus aliados o alinhamento com os controlos de exportação norte-americanos destinados a limitar a capacidade da China de produzir semicondutores avançados. O equipamento da ASML é mencionado na legislação.
A empresa afirmou ter refutado as alegações de incumprimento dos controlos de exportação relacionados com a China, acrescentando que tem “adaptado de forma consistente a sua actividade a quaisquer alterações nos controlos de exportação, de modo a cumprir todas as novas regras”.
Em Dezembro de 2025, a Reuters noticiou que cientistas chineses desenvolveram um protótipo de máquina EUV com a participação de uma equipa de antigos engenheiros da ASML, num projecto descrito como a versão chinesa do Projecto Manhattan — o programa secreto dos Estados Unidos que levou ao desenvolvimento da bomba atómica.
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