São Paulo
A companhia Polifônica traz para São Paulo na próxima terça-feira (23) "Eddy - Violência & Metamorfose", após estreá-la em 2025 no Rio de Janeiro . A peça com João Côrtes, Julia Lund e Erom Cordeiro faz temporada no Teatro Faap. Dirigida por Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky, a trama parte da produção literária do francês Édouard Louis .
O enredo retoma principalmente "História da Violência", obra na qual ele narra um ataque sexual que sofreu. Enquanto caminhava por Paris de madrugada, Louis cruza com Reda, um homem atraente que o aborda com insistência, até que o escritor o leva para casa. Na hora de ir embora, Reda tenta furtar Louis, que percebe e o confronta. O homem então ameaça o autor com uma arma e, em seguida, o estupra.
João Côrtes como Édouard Louis na peça 'Eddy - Violência & Metamorfose'
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Elisa Mendes/Divulgação Peça
Louis denuncia a agressão, se expondo à frieza da perícia policial. Depois, retorna a sua cidade natal, no interior da França , e se hospeda com sua irmã Clara, com quem tem uma relação difícil.
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A esta história, a peça emenda trechos inspirados em "O Fim de Eddy" e "Mudar: Método", livros que também contam a história do escritor. Ali, ele é retratado como um menino gay, deslocado das expectativas sociais e cercado por preconceito e violência na cidade onde cresceu. Narram também a ascensão social que o levou à esfera intelectual parisiense.
Erom Cordeiro é a novidade da montagem paulistana. O ator assume daqui para frente o papel de Reda, que antes era de Igor Fortunato. Vilão, o personagem é também apresentando, de certa forma, como uma vítima: é um imigrante que passa aperto e vive uma sexualidade reprimida.
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Cordeiro encara a tarefa de criar a própria versão de Reda como desafio intrigante. "O personagem do Igor foi elaborado junto com toda a estrutura da peça. Precisei tomar emprestado o que ele fez e reformular, porque é outro corpo, outra voz, outra idade."
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João Côrtes interpreta Eddy, personagem de Édouard Louis, e Julia Lund, sua irmã. São dois elementos que disputam o comando da narrativa. Enquanto ele conta a história de sua violência, ela julga sua inocência e passividade, aponta seus exageros e questiona seu relato. Não tendo ascendido como o irmão, parece considerá-lo afetado e arrogante.
Se sua personagem é um contraponto ao protagonista, a atriz, por sua vez, simpatiza com ele. "É uma obra com muitas portas de entrada. Você pode se identificar pela violência sexual, pelo machismo, pela homofobia, pela violência de classe. Como mulher, consigo me ver em algumas opressões que ele vive."
Côrtes concorda com a colega. "Violência, vergonha, medo, culpa são questões universais. A peça aborda esses temas de uma maneira que poderia ter acontecido em qualquer lugar."
A obra de Édouard Louis tem tido espaço nos palcos. Em março, o diretor alemão Thomas Ostermeier trouxe à Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, a MITsp, duas peças que partem de seus livros. Antes, em janeiro, Malu Galli interpretou uma personagem inspirada na mãe do autor em "Mulher em Fuga".
Eddy: Violência & Metamorfose
Dir.: Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky. Com: João Côrtes, Julia Lund e Erom Cordeiro. Estreia: 23 /6 . Ter. a qui., às 20h. Até 6/8. Ingr.: R$ 130 no site do Teatro Faap . 18 anos
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