Sepultura se despediu do público em um show emocionante no Rock in Rio Lisboa, marcando o fim de mais de quarenta anos de carreira. A apresentação, parte da turnê *Celebrating Life Through Death*, foi uma celebração do legado da banda e uma despedida sem arrependimento, segundo declarou o guitarrista Andreas Kisser. Em uma entrevista ao *PÚBLICO Brasil*, Kisser respondeu diretamente a perguntas sobre a decisão de encerrar a atividade da banda, afirmando que "arrependimento zero" foi o sentimento predominante durante toda a turnê. Ele explicou que a decisão não surgiu de forma repentina, mas resultou de um processo de maturação que durou dois anos, envolvendo conversas com familiares, membros da banda e gestores.
A turnê de despedida, que inclui shows em festivais de verão europeus antes de chegar ao Brasil, teve sua parada em Portugal com grande significado. O quarteto composto por Derrick Green (voz), Kisser (guitarra), Paulo Jr. (baixo) e Greyson Nekrutman (bateria) realizou o show no Rock in Rio Lisboa, onde se despediu do público português. Kisser destacou a importância dos fãs portugueses na história da banda, lembrando sua primeira visita ao país em 1990, quando ele já estava emocionado com a oportunidade de tocar no território. Segundo ele, o recebimento dos fãs em Portugal foi constante, independentemente das diferentes formações da banda ao longo dos anos.
O EP recente da banda, *The Cloud of Unknowing*, lançado em abril, foi mencionado por Kisser como parte essencial da turnê. Ele enfatizou que manter a banda criativa até o fim era fundamental, especialmente com a contribuição de Greyson, cujas ideias e energia foram importantes para o desenvolvimento do som atual. Além disso, Kisser observou que o público que compareceu aos shows muitas vezes era composto por pessoas que nunca tinham assistido a um show ao vivo do Sepultura, o que tornou o evento ainda mais especial.
Ao discutir o papel da banda na internacionalização da música brasileira, Kisser assumiu a posição de precursor. Ele destacou que o Sepultura nasceu em 1984, no final de uma ditadura no Brasil, e que a coesão artística e a autenticidade foram fundamentais para sua longevidade. Ele citou exemplos de experimentação musical, como a inclusão de influências indígenas, elementos da música japonesa e colaborações com artistas como Carlinhos Brown. Essa abordagem, segundo ele, ajudou a expandir o horizonte da música brasileira no cenário global.
Em relação ao contexto político atual no Brasil, Kisser defendeu uma atuação pela base, argumentando que o debate entre direita e esquerda frequentemente se torna confrontacional, com pouca disposição para escuta. Ele acreditou que a música pode unir pessoas, e que a mudança deve começar de baixo para cima, através de iniciativas individuais e locais. Para ele, o rock e o heavy metal têm um papel relevante por promoverem liberdade e democratização, permitindo que qualquer pessoa se identifique com o gênero, independentemente de origens ou preferências.
Com a conclusão da turnê de despedida, o Sepultura deixará uma herança rica e diversificada, com uma trajetória que abrange tanto o underground quanto o mainstream. Enquanto o público continua a celebrar o legado da banda, o futuro do rock brasileiro parece garantido, graças à influência e à persistência de nomes como o Sepultura.
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