O projeto para a implantação de uma ciclovia na Rua Guerra Junqueiro, no centro do Porto, está em discussão desde que uma petição apresentada por encarregados de educação exigiu mudanças nas condições de segurança e mobilidade na área. O documento elaborado pela Divisão Municipal de Apoio à Assembleia Municipal (AM) afirma que o projeto atual não tem capacidade técnica para permitir a construção de uma ciclovia, devido às limitações estruturais e infraestruturais da via.
A petição, intitulada "Guerra Junqueiro Mais Alegre", foi lançada em março por um grupo de encarregados de educação de escolas situadas na região. Os assinantes solicitavam que a autarquia revisasse o projeto original, que visava melhorar a acessibilidade e segurança para alunos e pedestres. Na noite de segunda-feira, a petição foi debatida na Assembleia Municipal, onde se evidenciaram divergências entre as expectativas dos peticionários e as restrições técnicas do plano inicial.
Segundo o relatório divulgado, o projeto atual foi herdados do executivo anterior e seu cancelamento implicaria que a obra não seja realizada nos próximos quatro anos. A autarquia argumenta que a implementação de uma ciclovia exigiria ajustes significativos ao projeto original, incluindo a eliminação de estacionamento, a remoção de árvores ou a redução da largura dos passeios, o que poderia comprometer a eficiência e a funcionalidade da via. Além disso, o concurso público para a empreitada terminou em 3 de abril, o que reforça a necessidade de manter o projeto conforme estava planejado.
A vice-presidente da autarquia, Catarina Araújo, destacou que, apesar das diferenças com a petição, há elementos comuns entre o projeto e as demandas dos peticionários. Ela mencionou que os passeios serão alargados ligeiramente ao longo da rua, especialmente próximo às escolas, e que haverá melhorias adicionais, como aumento da sinalização, criação de áreas para "kiss and ride", plantação de novas árvores e instalação de vagas para bicicletas. Além disso, foram mencionadas medidas para reduzir a velocidade dos veículos, visando maior segurança para pedestres e ciclistas.
Márcia Pinto, responsável por apresentar a petição às diversas forças políticas da AM, defendeu a necessidade de um "programa municipal de ruas escolares" que comece com a Guerra Junqueiro e se expanda para outras áreas da cidade. Segundo ela, a solução para esse bairro não pode ser isolada, devendo constituir parte de uma política pública voltada para todas as crianças do concelho. Os peticionários também solicitavam a supressão de uma via de trânsito e uma fila de estacionamento, algo que o projeto não contempla.
O relatório técnico justifica que a redução das condições de circulação, como a eliminação de uma via de trânsito, poderia prejudicar significativamente o fluxo de tráfego na região. Além disso, a remoção de estacionamento em uma das laterais da rua implicaria a perda de 60 vagas, num contexto onde há uma lista de espera de 283 residentes para obtenção de avenças. A Rua Guerra Junqueiro, classificada como "eixo de ligação fundamental", tem um alto volume de tráfego automotor e circulação pedonal, servindo diversos edifícios de escolas, equipamentos e instituições.
Com essas informações, fica claro que a discussão envolve tanto preocupações sobre a segurança e mobilidade quanto desafios técnicos e logísticos. Enquanto a autarquia busca equilibrar as demandas dos moradores e a realidade do projeto, os peticionários insistem na necessidade de uma abordagem mais ampla e sustentável para melhorar as condições de vida na região. A próxima etapa será determinar se haverá negociações para encontrar soluções intermediárias ou se o projeto seguirá sua trajetória original.
★
Keep the news honest.
ObjectiveNews is reader-funded and ad-free — we show you the bias instead of hiding it. Support independent journalism for €5/month.
Become a Supporter