Governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, negou planos de afastar o secretário de Meio Ambiente, Eduardo Sodré Martins, apesar das investigações da Polícia Federal envolvendo empresas ligadas ao político. Durante uma agenda no interior do estado, Rodrigues destacou que não há intenção de remover Sodré da função sem evidências concretas. Ele enfatizou que o secretário está se defendendo e que sua família merece apoio. "Não está no script qualquer afastamento de nenhum secretário por motivo do que está acontecendo", declarou Rodrigues, reforçando que não haverá decisão baseada em denúncias ou julgamentos antecipados.
As investigações da PF apontam que empresas associadas a Sodré estão sendo analisadas como possíveis beneficiárias de transações suspeitas relacionadas ao Banco Master. Entre essas empresas, destaca-se a BN Financeira Ltda., empresa onde Sodré é casado com Bonnie Bonilha, sócia da firma. Segundo informações fornecidas pela polícia federal, em 17 de outubro de 2025, a BN Financeira recebeu repasses de 3,5 milhões de reais da PLK One Participações, empresa vinculada ao Credcesta. Esse cartão consignado oferece benefícios a servidores públicos e é operado sob exclusividade de 15 anos pelo governo da Bahia.
O Credcesta é parte da rede de supermercados estatais Cesta do Povo, que foi privatizada em 2018. A taxa de juros oferecida pelo cartão é de aproximadamente 4,7%, e a empresa tem direito a um adicional de 30% de comprometimento da renda dos usuários. No entanto, a PF observou que a BN Financeira foi constituída como uma microempresa com capital social reduzido e sem estrutura operacional adequada para lidar com os volumes financeiros envolvidos. Isso levantou dúvidas sobre a legitimidade e a capacidade da empresa de operar com tais recursos.
Além disso, a PF menciona que Sodré teria sido responsável por realizar cobranças ao banqueiro Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro. Essas cobranças incluíram boletos, notas fiscais e outros documentos necessários para formalizar pagamentos. Ainda assim, Sodré não se pronunciou oficialmente sobre as suspeitas apresentadas pela polícia federal. O espaço para sua defesa permanece aberto, conforme informado pelos responsáveis pelas investigações.
Eduardo Sodré é enteado do ex-governador Jaques Wagner, atual senador pelo Partido dos Trabalhadores (PT). A relação entre Sodré e Wagner pode ser relevante para entender o contexto das investigações, especialmente considerando a história política e econômica da Bahia. Além disso, a operação que envolve Sodré também teve conexões com a investigação contra Wagner, que foi alvo de uma operação recente.
Os detalhes revelados pela PF sugerem que a situação envolve uma complexa rede de relações financeiras e empresariais, com implicações potencialmente significativas para a gestão pública no estado. A falta de resposta oficial por parte de Sodré e a ausência de medidas imediatas de afastamento por parte do governo geraram expectativas de que a situação possa evoluir nos próximos dias, especialmente após a conclusão das apurações preliminares. As autoridades continuarão monitorando a situação e podem tomar decisões futuras com base nas descobertas realizadas durante as investigações.
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